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Genéricos podem crescer 15% com fim do prazo de validade de patentes
Novo passo para vacina contra a febre reumática
Chance de ouro
Tipo 4 é detectado fora de Boa Vista
Cresce o número de genéricos
Estudo aprova novas córneas artificiais
Genéricos podem crescer 15% com fim do prazo de validade de patentes
Da Agência Brasil
Brasília – Com o fim da vigência de patentes neste ano, os fabricantes de remédios genéricos esperam crescer de 10% a 15%. A estimativa é de Odnir Finotti, presidente da Pró-Genéricos, associação que reúne as indústrias farmacêuticas do setor. O mercado de genéricos movimenta atualmente R$ 5 bilhões e os laboratórios nacionais estão de olho em um faturamento de R$ 1 bilhão a curto prazo.
Finotti garante que as empresas estão preparadas para abastecer as prateleiras das farmácias assim que as patentes expirarem. O genérico deve ser, pelo menos, 35% mais barato que o remédio de marca. "A indústria começa a se preparar dois anos antes do fim da patente", disse o presidente.
Um estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indica que 21 patentes devem expirar em 2010. Porém, esse cenário está sempre sujeito a mudanças, já que as indústrias farmacêuticas donas das patentes têm buscado a Justiça para prorrogar o tempo de exclusividade de uso das fórmulas.
No Brasil, uma patente dura 20 anos. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), do governo federal, considera que a patente começa a valer a partir da data do primeiro registro dela no exterior, o chamado mecanismo pipeline. Em contrapartida, os laboratórios dos remédios patenteados entendem que o prazo deve contar a partir de registros mais recentes.
A divergência de entendimento tem provocado disputas judiciais, como ocorreu no caso do Viagra, indicado para tratamento contra a impotência sexual. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a patente do remédio vencia em junho deste ano e rejeitou a alegação do laboratório Pfizer de que o encerramento seria em junho de 2011. A determinação permitiu a entrada do genérico do Viagra no mercado brasileiro.
Depois dessa decisão, o Inpi estuda agora pedir à Corte que julgue, de uma única vez, 37 recursos sobre prorrogação de patentes. Para o instituto, o fim das patentes estimula a produção nacional de genéricos, facilita o acesso da população aos medicamentos e reduz os gastos públicos com a compra de remédios.
"Não é combater a patente. Estamos combatendo o abuso do direito da patente, ou seja, usar além do que foi estabelecido pelo governo brasileiro. Isso não traz benefício para o país e para a população", justificou o procurador-chefe do Inpi, Mauro Maia. (Folha de Pernambuco, 22/08/2010)
Novo passo para vacina contra a febre reumática
Equipe de pesquisadores do Incor anuncia ter conseguido sucesso de 100% nos testes, em animais, de substância imunizante contra a doença, que atinge cerca de 15 milhões de crianças a cada ano. Próximo passo será o experimento com humanos
por Silvia Pacheco
Brasília - O Brasil está bem próximo de obter uma vacina contra a bactéria que causa a febre reumática, uma doença autoimune responsável por problemas cardíacos em cerca de 15 milhões de crianças todos os anos, no mundo inteiro. Depois de 20 anos de intensos estudos, os pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo, conseguiram obter sucesso de 100% nos testes com animais. No fim de 2011, poderão começar os primeiros testes em seres humanos. "É uma vitória para a medicina. Se tudo der certo com os ensaios clínicos em seres humanos, essa vacina servirá de modelo para outros imunizantes contra doenças autoimunes", diz Luíza Guilherme, pesquisadora e doutora em imunologia, que está à frente do projeto no Incor.

Pesquisadora no Laboratório de Imunologia: desafio era evitar que o organismo se voltasse contra o remédio. Foto: Michele Mifano/Divulgação
A febre reumática é uma doença decorrente de uma infecção na garganta provocada pela bactéria Streptococcus pyogenes, que tem reflexos no coração (veja infografia). A infecção promovea produção de anticorpos que atacam a bactéria e, ao mesmo tempo, atingem tecidos saudáveis do corpo. "As proteínas da S. pyogenes são muito semelhantes às proteínas do coração, das articulações e do sistema nervoso central, daí o comprometimento da atividade cardíaca provocado pela doença", explica o cardiologista e coordenador do Laboratório de Valvupatia do Incor, Max Grinberg. Segundo ele, a bactéria não causa diretamente a doença, mas desencadeia um processo que faz o organismo voltar-se contra si mesmo.
De acordo com Luíza Guilherme, esse processo ocorre porque as células do sistema imune aprendem a combater a proteína M, presente na superfície da S. pyogenes, mas a confundem com proteínas dos tecidos cardíacos e das articulações. "A bactéria pode até ser eliminada do organismo, mas o sistema imunológico acredita que ela esteja no corpo e ataque os tecidos, provocando a febre reumática", disse a coordenadora do projeto.
Para fazer uma vacina contra a bactéria, os cientistas do Incor buscaram o máximo de conhecimento para saber como essa doença ocorre no organismo. Eles procuraram por um trecho que sensibilizasse as células de defesa contra a S. pyogenes. Para isso, estudaram uma região de 100 aminoácidos na base da proteína M. "Ela é comum em todos os estreptococos que causam a frebre reumática. Até onde se sabe, essa região não induz resposta de autoimunidade", conta Luíza Guilherme. Ou seja, essa base varia muito pouco nas cerca de 200 cepas (o equivalente bacteriano a raças) da bactéria e não induz os linfócitos a destruírem proteínas do corpo humano.
A partir dessa região, os pesquisadores identificaram 55 resíduos de aminoácidos, que formam uma proteína, e com elas fizeram 79 peptídeos (pedaços de proteína). Enquanto isso, recolheram amostras de linfócitos T de 260 pessoas e soro do sangue de 620 pessoas - que mede a reatividade dos linfócitos B. "Quando a pessoa tem uma doença autoimune, ela é causada tanto pela ativação do linfócito B quanto do T, só que de uma forma inadequada. A busca da vacina foi ter uma resposta desses linfócito T e de anticorpos produzidos pelo linfócito B que não causassem a febre reumática", explica Luíza Guilherme.
Depois das análises, os cientistas do Incor encontraram na proteína M um trecho capaz de induzir o corpo a produzir anticorpos contra a bactéria e passaram a testá-las em animais. "Essa região tem um potencial de produzir anticorpos que, aparentemente, têm capacidade protetora", afirma a coordenadora do projeto.
Eficácia - Os testes foram feitos em diferentes linhagens de camundongos e todos eles produziram altos títulos de anticorpos. Em dois testes diferentes, camundongos foram vacinados e receberam uma quantidade de bactérias que normalmente seria suficiente para matá-los. Em ambos os testes, os camundongos não desenvolveram a febre reumática. "Observamos que esses animais produziam altos níveis de anticorpos, tinham reatividade do linfócito T, mas não reconheciam proteínas de tecido cardíaco", diz Luíza Guilherme.
Após os resultados, os pesquisadores resolveram testar a eficácia em pequenos porcos, de 20kg a 30kg, que, do ponto de vista biológico, são próximos aos seres humanos. Como esses animais não desenvolvem a febre reumática, foi injetada uma dose alta com bactéria nos animais, para que fosse desenvolvido um tipo de abcesso. Nos testes com seis porcos, foram obtidos altos níveis de anticorpos e nenhum tipo de reação adversa foi encontrada nos órgãos analisados. "Os resultados nos mostraram que há uma grande chance de que possamos induzir nos humanos uma boa proteção, sem causar reações adversas e autoimunidade", comemora a doutora em imunologia.
Para que a expectativa quanto aos testes em humanos se concretize, os cientistas estão envolvidos, agora, com a preparação da documentação que será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Estamos preparando os documentos necessários exigidos pelas leis que regulamentam medicamentos testados em humanos, para dar início aos ensaios clínicos. Como é uma vacina que será aplicada em crianças, os testes devem demorar até cinco anos", informa Luíza Guilherme. Os ensaios, feitos em voluntários, vão mostrar com qual intensidade a vacina é capaz de induzir uma resposta no corpo humano e as reações que pode provocar.
A febre reumática atinge, principalmente, crianças, a partir de 5 e 6 anos, e adolescentes, e começa com uma infecção na garganta. Se o problema não for tratado, o paciente fica com sequelas. Entre 1% e 5% das crianças adquirem dores nas articulações. Dessas, entre 30% e 40% acabam desenvolvendo problemas cardíacos. "Quando partes do tecido cardíaco já foram destruídas, o paciente pode ser salvo somente por meio de uma cirurgia - em geral, de troca das válvulas mitral ou aórtica, com alto custo e possíveis sequelas", explica Max Grinberg. (Diario de Pernambuco, Brasil, 24/08/2010)
Chance de ouro
Dois alunos da UnB estão entre os quatro primeiros brasileiros selecionados para um estágio de engenharia na Nasa. De volta à cidade depois de uma experiência de quatro semanas, eles foram convidados a retornar no ano que vem
por Tatiana Sabadini
Brasília - Construir robôs, desenvolver pesquisas, montar máquinas, participar de projetos importantes ou simplesmente viajar pelo espaço. Esses são apenas alguns exemplos dos objetivos de jovens brasileiros que sonham em ser cientistas. Para dois estudantes da Universidade de Brasília (UnB), o sonho ficou mais perto. Diego Vioti e Flávio Dias, ambos de 23 anos, tiveram a oportunidade de trabalhar por um mês na Agência Espacial Americana (Nasa). Lá, eles dividiram ideias, participaram de projetos, trocaram contatos e não ficaram apenas na teoria, colocando o conhecimento em prática.

Flávio (à frente) e Diego: troca de experiências com estudantes do mundo inteiro e chance de participar da construção de veículos e robôs de última geração. Foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press
Foram 30 dias de trabalho, no mês passado, em um laboratório no Nasa Engineering Boot Camp, um programa criado pelo cientista norte-americano Michael Comberiate para receber estudantes de ciência de várias graduações - do ensino médio ao mestrado. No Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbalt, Maryland, os dois brasilienses participaram de projetos com jovens de 50 países. Alémdeles, outros dois brasileiros fizeram parte da turma: a estudante de engenharia de software da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale) Janynne Gomes e o estudante de mestrado do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Thomaz Soriano.
Acostumado a trabalhar em projetos de desenvolvimento de carros de corrida na oficina de engenharia mecânica da UnB, Flávio ajudou a construir outro tipo de veículo nos Estados Unidos. Ele participou do projeto Astrobot, um trator que deve fazer o mapeamento a laser de terrenos cobertos de gelo na Groelândia. "É um protótipo produzido pela Universidade do Alasca e lá no laboratório continuamos a trabalhar nele. Ele anda, perfura a neve e consegue pegar amostras de solo e de água. Ele também pode ficar até três meses percorrendo terrenos perigosos e não precisa de combustível, porque usa energia solar", conta o estudante.
Enquanto Flávio participava do desenvolvimento do veículo, Diego trabalhava em um projeto de doisrobôs: o Nanook e o Moondog. "No primeiro, ficamos encarregados de fazer a interface de um laser, que faz a leitura das distâncias de toda a esfera em torno do robô. Com essa informação, é criada uma imagem em três dimensões para reconhecimento do ambiente explorado e do posicionamento de outros robôs. No segundo, utilizamos microcontroladores para a comunicação do robô com um satélite", conta o jovem.
Desde pequeno, Diego se interessa por ciência e tecnologia. "Brincava muito de Lego e adorava desmontar carrinhos à pilha e coisas do gênero. Na escola, também gostava mais de matemática e física. Então, juntando o útil ao agradável, acabei na engenharia", conta. Ele é aluno do 9º semestre de engenharia de teleinformática da Universidade Federal do Ceará (UFC) e, no momento, participa do programa de mobilidade acadêmica no Departamento de Engenharia Elétrica da UnB.

A turma de estudantes selecionados para participar do programa neste ano: representantes de 50 países.
Foto: Arquivo Pessoal
Troca de experiências - Durante o período no centro da Nasa, os brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer tanto o trabalho dos engenheirosda agência espacial como de empresas que desenvolvem pesquisas na área de ciência. "Fomos também em diversas universidades, conhecemos os programas de estudos de cada uma e outras pessoas do Brasil que trabalham lá", conta Flávio. O mais interessante, no entanto, foi poder colocar a mão na massa. "Acho que o objetivo da engenharia é esse, você faz a pesquisa e a coloca em prática. Fiquei impressionado com o estágio, é mesmo para a pessoa aprender. Se você não sabe, os monitores explicam e apontam o melhor jeito de fazer a atividade dar certo", diz.
A experiência de trabalhar na maior agência espacial do mundo garantiu a oportunidade de descobrir mais formas de trabalho e interação. "Acredito que o maior aprendizado foi relacionado à troca de experiências com os outros estudantes do grupo. Eram aproximadamente 50 pessoas de diferentes partes do mundo, de diferentes áreas técnicas, cada uma com suas próprias experiências, todas trabalhando em conjunto, com objetivos comuns", afirma Diego.
Os dois estudantes ficaram sabendo do estágio depois de receberem um e-mail de colegas. Essa foi a primeira vez que alunos brasileiros participaram do projeto, sendo que o Ministério de Ciência e Tecnologia custeou as passagens e as hospedagens dos quatro selecionados. Flávio e Diego já se preparam para voltar no ano que vem. "Mandamos os nossos currículos e fomos aprovados. Como foi a primeira viagem, enquanto os outros estudantes ficaram por 10 semanas, nós, brasileiros, ficamos apenas quatro, mas ainda deu para aproveitar e pudemos contribuir bastante", conta o estudante de engenharia elétrica.
Quem recebeu os brasileiros no Boot Camp foi o cientista mineiro e diretor do Centro de Informática da Universidade de Loyola em Maryland, Marco Figueiredo. Formado em engenharia elétrica, ele trabalhou durante anos na Nasa, onde projetou um supercomputador para satélites aos 28 anos. Atualmente, ele também coordena um projeto de acesso à internet para comunidades rurais em Minas Gerais. "Precisamos incentivar o interesse dos jovens brasileiros por uma carreira aeroespacial. Fiz uma palestra no começo do ano em São Paulo e o que mais chamou atenção dos estudantes foi a colonização do espaço. É essa a linha que a ciência vai seguir daqui para frente", acredita.
Futuro - Para Flávio, o futuro está mesmo perto do espaço, qualquer que seja o lugar onde ele vá trabalhar. "Meu sonho, quando era pequeno, era ser piloto de avião, então sempre quis mexer com isso. Fiz um curso de mecânica de aeronave e pretendo trilhar meu caminho nessa área. Sonho com qualquer coisa que me dê oportunidade na aerodinâmica, seja na Nasa ou na Agência Espacial Brasileira (AEB)", comenta o futuro engenheiro.
Para Diego, um estágio como esse pode abrir muitas portas para um jovem cientista. "Além da experiência e do conhecimento, ele também pode proporcionar boas oportunidades. Já estou estagiando e participando de projetos na área há mais de três anos aqui no Brasil e ouve-se muito que há cada vez mais investimento por aqui. Meu principal interesse é trabalhar comhardware e, atualmente, tecnologia espacial. Mas existem várias áreas interessantes e as oportunidades que surgem sempre vão mudando nossos rumos", conclui o estudante.
O conselho de Marco Figueiredo para os estudantes é nunca perder o objetivo e sempre pensar além das possibilidades. "Quando você vir a Lua no céu, observe-a bem e imagine você lá, olhando para a Terra. Então imagine como seria a sua vida numa colônia lunar. Pense em todos os instrumentos necessários para sobreviver na Lua. E quem sabe um dia você não ajudará a construir as máquinas e os equipamentos que vão permitir a criação de uma colônia humana lá. O futuro da humanidade está no espaço. Sonhe com isso e faça esse sonho virar realidade", sugere Marco.
Pioneiro
O Goddard foi o primeiro centro de voos espaciais criado pela Nasa. Inaugurado em maio de 1959, recebeu o nome do cientista Robert Goddard, pioneiro na construção de foguetes nos Estados Unidos. Uma de suas frases mais famosas é lema do centro: "É difícil dizer o que é impossível, porque o sonho de ontem é a esperança de hoje e a realidade de amanhã". Atualmente, o instituto coordena satélites, faz operação de redes de acompanhamento de voos espaciais da Nasa e tem programas de ensino para professores e estudantes.
Como escolher a área de estudo
Um cientista pode ser um especialista em diversas áreas. Se você tem vontade de saber mais a respeito dos fundamentos do conhecimento humano sobre a natureza, pode optar pelas ciências básicas, como a física e a química. Se tem mais interesse em saber como funcionam o avião, o automóvel, o rádio e a televisão e gostaria de melhorar esses aparelhos, então procure alguma especialidade de engenharia. Se sua preocupação é com a saúde e o mecanismo de doenças, escolha a área biomédica. Se sua curiosidade maior é saber como funcionam os organismos, então procure a biologia. E se o seu interesse é pela exploração da terra e pela formação de alimentos, pode se realizar nas ciências agrárias. Durante a faculdade, procure participar de projetos e fazer estágios em áreas de seu interesse. Quanto mais conhecimento e experiência, melhor. Também tire dúvidas com professores e faça contato com cientistas que você admira. (Diario de Pernambuco, Brasil, 24/08/2010)
Fonte: ProfiCiência
Tipo 4 é detectado fora de Boa Vista
BRASÍLIA (ABr) - Técnicos do Ministério da Saúde identificaram que um dos pacientes com suspeita de dengue tipo 4 em Roraima foi infectado fora da capital Boa Vista. Até o momento, a maioria dos casos suspeitos e os três já confirmados foram registrados na capital roraimense.
De acordo com o ministério, um morador de 55 anos do município de Cantá, a 35 quilômetros da capital, foi infectado na própria cidade. As investigações indicaram que o homem não deixou a localidade três semanas antes de apresentar os sintomas de dengue.
Em Roraima, nove casos suspeitos estão sendo analisados. Com o surgimento das suspeitas, o ministério e a Secretaria de Saúde de Roraima intensificaram as medidas de combate à dengue em Boa Vista, Cantá e Normandia. (Folha de Pernambuco, Brasil, 24/08/2010)
Cresce o número de genéricos
Há mais dez anos, os laboratórios farmacêuticos de genéricos têm registrado acelerado crescimento, devendo superar mais um recorde, este ano. Os medicamentos de tal espécie vêm conquistando parcelas consideráveis da população, enquanto os remédios convencionais perdem clientes, devido à diferença de preço entre ambos, resultado que surpreendeu seus fabricantes.
Em dois anos um determinado laboratório que fabrica os genéricos passou da 13ª posição para a 7ª. Frise-se que anos atrás o Brasil era um mercado pouco explorado nesse segmento, em condição inferior à da China e da Índia. Apesar de a grande maioria da população brasileira possuir baixo poder aquisitivo, em compensação, o País detém o maior mercado de genéricos da América, à frente da Rússia, Índia e China.
Com o fim da vigência de patentes de outros medicamento neste ano, os fabricantes de genéricos estimam crescer sua produção entre 10% a 15%, previsão ratificada pelo presidente da Pró-Genéricos, Odnir Finotti, entidade que reúne as indústrias farmacêuticas do setor. Atualmente, o aludido segmento movimenta cerca de R$ 5 bilhões, sendo que os laboratórios nacionais avaliam o faturamento de R$ 1 bilhão no curto prazo. Segundo aquele dirigente, as empresas estão preparadas para abastecer as farmácias, assim que as patentes expirarem. O genérico deverá ser, pelo menos, 35% mais barato do que o remédio de marca.
Estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que 21 patentes devem expirar em 2010, embora possa haver recursos judiciais das indústrias farmacêuticas detentoras das patentes, a fim de protelar a decisão final favorável aos genéricos.
O prazo de validade de uma patente no Brasil é de 20 anos. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), orgão governamental, entende que a patente começa a vigorar a partir da data do seu primeiro registro no exterior, mecanismo denominado de "pipeline". No entanto, os laboratórios dos medicamentos patenteados entendem que o prazo de vigência deve valer a partir de de registros mais recentes.
Entre as variantes cogitadas, consta a exportação para o exterior, em particular para a América Latina, pois a tendência é que os genéricos não vão deixar de crescer e se expandir, podendo conquistar novos mercados com pleno êxito. (Folha de Pernambuco, Editorial, 24/08/2010)
Estudo aprova novas córneas artificiais
Embora em fase inicial, pesquisa que criou alternativas biossintéticas para transplantes abre caminho para a substituição de doadores humanos. Nova tecnologia não só consegue restaurar a visão como possibilita a regeneração dos nervos ópticos
por Paloma Oliveto
Brasília - A perda da visão decorrente de doenças ou traumas na córnea afeta pelo menos 10 milhões de pessoas no mundo, e a oferta limitada de órgãos para doação condena esses pacientes a viver eternamente na trevas. Mesmo nos países onde há bancos de córneas, como os Estados Unidos, que realizam 42 mil transplantes por ano, existem riscos de rejeição, e as próteses industriais, feitas de plástico sintético, são aplicáveis em poucos casos, além de não promoverem a regeneração dos nervos.

A pesquisadora May Griffith mostra uma córnea biossintética como a usada nos pacientes: o material promove a regeneração dos nervos. Foto: Ottawa Hospital Research Institute/Divulgação
Uma nova tecnologia, anunciada na revista especializada Science Translational Medicine, traz a esperança de devolver a luz aos deficientes visuais. Embora o estudo ainda esteja na primeira fase, ele foi bem-sucedido - conseguiu restaurar a visão e regenerou os nervos ópticos de seis dos 10 pacientes que participaram da pesquisa. Dois anos depois do procedimento, eles continuavam enxergando normalmente, com a ajuda de lentes de contato. "Com mais pesquisas, essa abordagem poderá restaurar a visão de milhões de pessoas, que estão esperando a doação de uma córnea humana para transplante", disse uma das pesquisadoras, May Griffith, da Universidade de Ottawa, no Canadá, em uma webconferência de imprensa.
A técnica utilizada pela equipe de Griffith foi o transplante de córneas biossintéticas, moldadas para adquirir o tamanho e a forma de uma córnea humana. "Todos os pacientes tinham lesões graves, e o tipo de tratamento que precisavam era o transplante de doadores humanos", disse a médica. De acordo com ela, os implantes foram desenhados de modo a imitar a córnea humana, que é composta, basicamente, por colágeno.
Griffith explica que a córnea é uma camada fina e transparente de colágeno e células que funcionam como uma janela para o globo ocular. "Ela precisa ser completamente transparente para permitir que a luz entre nos olhos. A córnea também ajuda a focalizar os objetos. Globalmente, a causa mais comum de cegueira são doenças que levam ao embaçamento do órgão." A mais comum, de acordo coma especialista, é o tracoma, mal causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, que provoca inflamação e feridas nas córneas. Aproximadamente 5 milhões de pessoas, em todo o mundo, sofrem com o problema.
Técnica recombinante - Há uma década, a médica investigava um substituto eficiente para a córnea natural. Ela encontrou o que procurava no colágeno humano recombinante - ou seja, produzido artificialmente a partir de genes clonados. "O colágeno recombinante é um substituto viável para a ocorrência natural da proteína nos humanos e não tem as limitações do transplante de um doador ou de colágenos cuja origem são animais. Esses dois outros métodos têm o problema da carência de órgãos para doação, além do risco de transmissão de doenças", lembra Griffith.
No estudo clínico, cujo resultado foi publicado ontem na Science Translational Medicine, 10 suecos com idades entre 18 e 75 anos e vítimas de graves lesões na córnea passaram por um procedimento de ressecção da estrutura original, seguida pelo implante das córneas biossintéticas. Durante dois anos, os voluntários foram acompanhados pelos pesquisadores. Nenhum deles, mesmo os que não foram beneficiados com a melhoria da visão, sofreu rejeição, um problema comum em transplantes.
Os pesquisadores observaram que as células e os nervos da córnea natural dos pacientes cresceram sobre o implante, resultando na regeneração do órgão, que ficou parecendo um tecido normal e saudável. Não foi preciso usar imunossupressores por um longo tempo, algo necessário quando é feito um transplante de doador humano. Em termos de acuidade visual, 24 meses depois do procedimento, seis voluntários continuaram a enxergar novamente, dois não tiveram nenhum benefício, e os restantes, embora voltassem a ver após o procedimento, perderam essa capacidade nos anos seguintes.
Além disso, a habilidade de produzir lágrimas foi recuperada por todos os pacientes, mesmos os que não voltaram a enxergar. A regeneração dos nervos permitiu que eles também voltassem a ter sensibilidade ao toque em um nível maior do que o observado em pessoas que recebem transplante de córneas humanas.
"Estamos muito encorajados por esses resultados e pelo enorme potencial das córneas biossintéticas", afirmou, na webconferência, o cirurgião ocular Per Fagerholm, da Universidade de Linköping, na Suécia, que participou do estudo. "Atualmente, estamos aprimorando os biomateriais utilizados nos implantes e fazendo algumas modificações na técnica cirúrgica. Novos estudos estão sendo planejados para estender o uso das córneas biossintéticas para uma quantidade maior de condições que requerem transplante", explicou.
10 milhões
Total estimado de pessoas no mundo que perderam a visão por doenças ou traumas nas córneas
Cirurgias não atendem demanda
No Brasil, dados da Associação Pan-Americana de Bancos de Olhos mostram que aproximadamente 25 mil pessoas aguardam por um transplante de córnea. São realizadas apenas cerca de
3 mil cirurgias por ano. Nas secretarias estaduais de Saúde (incluindo a do DF), existem bancos, que armazenam córneas doadas. Em média, o banco de Brasília, situado no Hospital de Base, recebe 200 doações anualmente. (Diario de Pernambuco, Brasil, 27/08/2010)
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