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Índice
das Notícias
Nazaré terá unidade do Lafepe
Seria engraçado... se não fosse perigoso
Parto traumático gera estresse prolongado
Ministério apela para que adultos tomem vacina
Inovação se faz com TI
Filtros antispam contra a AIDS
Perda da biodiversidade
Ofensiva contra o preconceito
Gravidez possível
Beleza natural
Cultura e pesquisas de ponta
Turbilhão de emoções
Curativo vegetal
Ação orienta homens sobre doença
Recife prorroga vacinação contra a Gripe A(H1N1) até o dia 28
Fábrica de plantas
Nazaré terá unidade do Lafepe
Por Alexandre Ferreira
O município de Nazaré da Mata irá ganhar de presente hoje, data em que comemora seus 177 anos, uma farmácia do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe). A unidade, que funcionará no número 46 da rua Bom Jesus, no centro da cidade, beneficiará, além dos moradores de Nazaré da Mata, que tem cerca de 30 mil pessoas, além dos municípios de Buenos Aires, Tracunhaém, Vicência, Aliança e Itaquitinga. Com essa filial, a terceira farmácia da Mata Norte, o Governo do Estado pretende abranger toda aquela região.
O estabelecimento funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h ao meio-dia. No local deverão ser comercializados os 33 medicamentos de fabricação própria do laboratório, além de 187 genéricos. Dentre os 220 medicamentos, que atendem a mais de 70% das patologias, encontram-se anti-hipertensivos, antidiabéticos, antiparasitários, antibióticos, anti-ulcerosos, vitaminas, analgésicos e antitérmicos. A farmácia contará ainda com a presença diária de um farmacêutico para tirar dúvidas dos clientes.
Com valores até 1.400% mais baixos em relação aos da iniciativa privada, é possível encontrar nas farmácias do Lafepe, medicamentos como o analgésico Dipirona, envelope com dez comprimidos de 500 mg, por R$ 0,70. O mesmo medicamento, produzido por outros laboratórios e vendido em farmácias da rede privada, pode custar cerca de R$ 2,80. Outros exemplos o anti-hipertensivo Captopril que é vendido em envelope com 30 comprimidos de 25 miligramas por R$ 1,35. Este medicamento é comercializado, na rede privada, pelo preço médio de R$ 20. (Folha de Pernambuco, Grande Recife, 17/05/2010)
Seria engraçado... se não fosse perigoso
Crendices e superstições relacionadas à gravidez podem até dar um colorido extra a esse período, mas, na maior parte das vezes, não passam de mitos. É preciso cuidado: alguns deles chegam a ser potencialmente prejudiciais à mãe e ao bebê
por Tatiana abadini

A aposta certa de Jacqueline e Roziane: quando surgem as dúvidas,
as futuras mamães só confiam nos médicos. Foto: Elio Rizzo/Esp.
CB/D.A Press
Basta o exame dar positivo para surgir uma enxurrada de sugestões, superstições e crendices. "Enjoo com doce é menino. Com salgado, menina." "Tá com azia? Xi, então, o bebê vai nascer cabeludo." "Nada de dormir de bruço, porque o bebê pode nascer com os pés tortos." Centenas de mitos envolvem este período tão importante na vida de uma mulher.
Além de passarem por uma transformação física, as grávidas enfrentam
uma série de questionamentos e dúvidas. E, durante os longos nove
meses, todo mundo - a mãe, a avó, a sogra, a vizinha, o porteiro,
a manicure e até mesmo um desconhecido -vira especialista. A informação
certa parece ser a grande arma da ciência para esses casos. O primeiro
passo para se livrar dos mitos é simples: surgiu alguma dúvida? Consulte
o médico, sempre.
Depois de ouvir tantas perguntas e dúvidas relacionadas à gravidez no consultório, o pediatra Ricardo Lopes Pontes resolveu reuni-las no livro Barriga redonda, barriga pontuda - Derrubando mitos, crendices e superstições sobre a gravidez (Casa da Palavra Editora), com a ajuda da jornalista Ana Paula Brasil. "Já me perguntaram muita coisa, algumas engraçadas e outras perigosas. Por exemplo, dizer que durante a amamentação não pode tomar líquido nenhum. Isso pode prejudicar a saúde, porque hidratação é importante para a mãe conseguir produzir o leite. É preciso ter bom senso e confiar ao médico todas as dúvidas", afirma o especialista.
É exatamente isso que Roziane Maria de Aquino, 33 anos, grávida de quatro meses e à espera de gêmeos, tenta fazer. Em qualquer lugar que ela vá, alguém tem um conselho ou uma sentença. "Ainda mais eu que vou ter dois, já escutei até que por isso não vou poder amamentar. Mas eu escuto educadamente e depois deleto. Só tenho duas fontes para a minha gravidez: minha médica e uma amiga que é enfermeira", comenta. Para a recepcionista, a melhor dica da médica foi o picolé de limão para combater o enjoo. "Esse não é mito, funciona", diz.
A segunda vez pode ser mais fácil, porém não menos emocionante. Para Jacqueline Dias Rodrigues, 35 anos, quatro meses de gestação, à espera de um menino, ainda há dúvidas e uma certa ansiedade. "Minha filha tem 11 anos. Faz tanto tempo que me esqueci de muita coisa. Mas sempre que aparece alguma pergunta, principalmente sobre o que eu posso e não posso comer, recorro à minha médica", conta a atendente.
Na hora de comer - O cardápio ideal durante a gestação gera incerteza para muitas mulheres. O primeiro passo, no entanto, deve ser deixar de lado a história de que é preciso "comer por dois". "Ganhar muito peso durante a gravidez pode prejudicar tanto a mãe quanto a criança. Isso pode desenvolver um problema de obesidade, hipertensão e diabetes", explica Ricardo. Duas recomendações, no entanto, podem serlevadas a sério: beber leite e comer mais folhas verde-escuras. São duas fontes de cálcio e ferro que ajudam na formação do feto.
Outro mito que também pode prejudicar a saúde da futura mãe é de que "muita ginástica durante a gravidez pode prejudicar o bebê". De acordo com Daniela Rico, professora especialista em atividade física na gestação e no pós-parto da academia Companhia Athlética, muitas grávidas têm dúvidas se devem ou não se render ao exercício. "O maior medo é que o neném possa sofrer durante a malhação, mas esse risco não existe. Atividades leves e moderadas são super-recomendadas e ajudam muito na gestação. As mais intensas sim, podem prejudicar, porque diminuem os nutrientes da mãe", comenta.
Para Délcio Rodrigues, ginecologista do Hospital Anchieta, que criou um curso para gestantes há quase 30 anos, muita coisa mudou. As mulheres estão mais confiantes e têm mais acesso à informação, mas a cultura popular ainda é muito forte. "Precisamos deixá-las manifestarem esse instinto nato de ser mãe, sembloqueios. Percebemos que algumas questões são básicas para gestantes, geram muito ansiedade e são muito arraigadas culturalmente por mais que a gente dê elementos objetivos para comprovar o contrário. Porém, quando a pessoa está preparada, ela supera esses medos com muita facilidade", analisa o médico.
Com uma lista de mitos sobre a gravidez nas mãos, Roziane e Jacqueline se surpreenderam. Conheciam quase todas as mentiras, a única dúvida era sobre como "banho quente é bom para desempedrar o leite". Elas tinham certeza de que era verdade. O banho relaxa e aumenta a produção de leite, mas, se ele empedrar, a água quente pode piorar a situação. "Eu cheguei a fazer isso na minha primeira gravidez, meu leite empedrou, e ainda me recomendaram uma simpatia: fazer massagem com um pente embaixo do chuveiro", relembra Jacqueline.
A amamentação é uma das fases que mais trazem dúvidas para as mulheres, segundo Maria Elizabeth Correa Santos, fisoterapeuta neonatal e coordenadora do curso de gestantes da Unimed Brasília. "Muitas não querem nem tentar, porque acham que o peito vai cair, mas é justamente o contrário: quanto mais você amamenta, mais bonita fica. As mães também costumam acreditar que, se a criança arrotar no peito, ele pode inflamar. Pura mentira, é completamente natural que isso aconteça. Outra coisa: não existe leite fraco, toda mãe tem suficiente para alimentar e sustentar seu filho", confirma a especialista.
As únicas simpatias válidas são as que servem para adivinhar o sexo do bebê, porque não causam perigo à saúde da futura mãe. Nenhuma tem comprovação científica, mas são divertidas. "Tem muita gente que carrega essas histórias desde a época da avó. E não importa qual for o método, as chances de acertar são de 50%", aponta Maria Elizabeth. Entre as mais usadas pela atendente estão colocar um garfo e uma colher enrolados no guardanapo na mesa: se a grávida escolher o primeiro, é menino; se for a segunda, menina. Outra tática é cozinhar um coração de galinha (só serve se for caipira) e cortar no meio. Se ele abrir, é mulher; se ficar fechado, homem. "Fiz todas e deu certo e ainda dei boas risadas", garante Jacqueline.
Sintoma passageiro
Os enjoos são causados pelo hormônio produzido para garantir o desenvolvimento do bebê até que a placenta esteja pronta para assumir essa função. Alguns alimentos aliviam a náusea, principalmente os ácidos, como tomate, tangerina e picolé de limão. O médico obstetra também pode dar orientações e sugerir alguma medicação, se necessário.
Essencial para o bebê
O leite materno tem um aspecto mais ralo, porém é rico em nutrientes, não precisa ser substituído ou complementado. É a melhor alimentação para o bebê, porque reforça o sistema imunológico. Nos primeiros seis meses de vida, os pediatras recomendam apenas o aleitamento materno. Ele é suficiente para manter um ótimo nível de hidratação, não havendo necessidade de dar água ou chás ao bebê nessa fase. (Diario de Pernambuco, Brasil, 18/05/2010)
Parto traumático gera estresse prolongado
Pesquisadores da UFPE realizam estudo inédito na área e alertam para problema que pode ser gerado pela má assistência no hospital
Por Veronica Almeida
Maria tem 20 anos. Pariu o primeiro filho há um mês, num hospital público do Sertão de Pernambuco. Descreve o nascimento da desejada criança, fruto do seu casamento por amor, como uma sessão de horror e tortura. Com nove meses de gestação completos, sente as primeiras dores pela manhã. Procura a maternidade e, mesmo sem examiná-la, a médica a manda de volta para casa. As dores aumentam e ela retorna ao mesmo serviço. À noitinha a obstetra a examina e diz que a transferência para outra maternidade é inevitável porque não há vagas no serviço. A jovem mãe insiste, teme ficar longe da família e perder o filho. É alojada numa enfermaria-geral.
Quando o corpo começa a expulsar a criança, a gestante desce sozinha da maca e anda todo o corredor, sem qualquer apoio, até a sala de parto. No nascimento propriamente, é culpabilizada por não ajudar, sente os cortes para a passagem do bebê e, no fim, mais uma vez é tratada com indiferença. “Me mandaram descer sozinha da mesa”, conta, lembrando os momentos finais em que novamente se sentiu abandonada, ignorada e agredida. Foram horas pensando que poderia morrer ou ver a criança nascer morta. “Nunca mais quero ter filho”, sentencia, visivelmente traumatizada com o horror do parto, anormal para a expectativa de quem estava descobrindo a maternidade. Maria não quer ser identificada, teme ser vítima no futuro, pois é dependente do único serviço de saúde da cidade.
A história acima repete-se em relatos colhidos na porta de hospitais e nos acolhimentos feitos por entidades feministas e de direito reprodutivo. É um exemplo de como um dos momentos mais importantes na vida da mulher pode se transformar em sofrimento psíquico de repercussões que a ciência só recentemente vem estudando.
Psiquiatras do Programa de Saúde Mental da Mulher da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertam para a incidência do parto traumático e outra complicação posterior, o transtorno do estresse pós-traumático, que interfere na vida conjugal e reprodutiva da mulher, como também na relação mãe-bebê. Eles vão iniciar no segundo semestre deste ano uma pesquisa que visa avaliar a incidência do problema em mulheres que deram à luz no Recife.
Em 2008, ao estudar depressão pós-parto e transtornos de ansiedade, o programa detectou uma proporção significativa de mulheres vítimas do parto traumático e 5% delas já apresentavam o transtorno do estresse pós-traumático, segundo o psiquiatra Amaury Cantilino, doutor em neuropsiquiatria e ciências do comportamento. Ele coordena o Programa de Saúde Mental da Mulher da UFPE, que também faz atendimento ambulatorial, às sextas-feiras pela manhã (telefone 81-2126-3692), recebendo mulheres encaminhadas por obstetras e pediatras.
O grupo de estudiosos, formado também pelos psiquiatras Carla Zambaldi e Everton Sougey, publicou no ano passado artigo em revista científica brasileira sobre o assunto. Seria a primeira publicação local a respeito do tema e trata-se de revisão da literatura mundial, cujo artigo inicial é de 1998. As descobertas recentes sobre o impacto do problema sugerem que a próxima classificação em psiquiatria considere o transtorno do estresse pós-traumático relacionado especificamente ao parto.
“De 21% a 34% das mulheres podem experimentar o parto traumático”, explica Amaury Cantilino. Segundo ele, o trauma ocorre durante o trabalho de parto ou no momento do nascimento da criança que envolve real ou temida lesão física. Dor excessiva, hemorragia, morte do recém nascido, uso de fórceps, experiência humilhante, cuidado médico inadequado, transferência do bebê para uma UTI ou anomalia congênita são algumas das situações listadas que levam ao sofrimento psíquico da mãe. “Nesse evento, a mulher experimenta medo intenso, desamparo, perda de controle e horror”, esclarece.
CONSEQUÊNCIAS
As mulheres traumatizadas com o parto relatam atendimento arrogante, frio, técnico e queixam-se de não ter sido ouvidas pela equipe de saúde. “Mesmo quando um parto é considerado dentro da normalidade pela equipe de saúde, pode ser traumático para a parturiente”, acrescenta o psiquiatra, dando uma noção mais ampla do problema. Experiências anteriores ao nascimento do filho também favorecem o distúrbio. Mulheres que sofreram violência sexual na infância ou fase adulta têm 12 vezes mais chances de sofrer parto traumático.
Uma fração das que desenvolvem o trauma acaba tendo o estresse pós-traumático, caracterizado por recordações aflitivas, associadas em parte dos casos a ansiedade, raiva, depressão e tensão. “A mulher revive o trauma em pensamentos e pesadelos”, explica a psiquiatra Carla Zambaldi. Para ela, é fundamental que a gestante tenha um bom acompanhamento no pré-natal para identificação de fatores individuais que previamente podem ajudar a desencadear o trauma no parto.
“O que protege as mulheres é o acesso prévio a bastante informação sobre o parto, que a deixa consciente sobre o que vai acontecer, como também o apoio que ela recebe na hora do nascimento do bebê. Daí a importância do acompanhante, que pode ser o pai da criança, a mãe da parturiente ou mesmo doulas (mulheres da comunidade que acompanham a gestante)”, avalia Carla Zambaldi. Segundo ela, cabe à equipe que assistiu a mulher no parto (obstetra e enfermeiros) observar e conversar com a mulher sobre a experiência que ela vivenciou. Ao identificar a situação traumática, a paciente deve ser encaminhada a serviço de saúde mental.
Quando a mulher desenvolve o estresse pós-traumático, apresenta sofrimento significativo e prejuízo na sua função social, familiar ou ocupacional, lembra Amaury Cantilino. O tratamento é com assistência psiquiátrica e psicológica. (Jornal do Commercio, Cidades, 18/05/2010)
Ministério apela para que adultos tomem vacina
BRASÍLIA – Último grupo a ser atendido pela campanha de vacinação contra a gripe A(H1N1), os adultos de 30 a 39 anos não têm comparecido aos postos de saúde como esperava o governo. Faltando três dias para o fim da campanha, apenas 27% da meta do Ministério da Saúde para esta faixa etária foi atingida. Ao todo, 8 milhões de pessoas deste grupo foi imunizado contra a doença, que no ano passado fez 2.051 vítimas fatais. Os adultos de 30 a 39 anos representaram 22% dos óbitos. Somados aos de 20 a 29 anos, os jovens saudáveis responderam por 42% das mortes.
“Jovem se acha poderoso, pensa que nada vai acontecer com ele. Eles são saudáveis, mas não são imunes. Foram justamente os jovens que mais morreram da doença no ano passado. Ter a vacina disponível e optar por não tomá-la é uma decisão irresponsável”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna.
Ele lembrou que a imunização é um instrumento fundamental para barrar a circulação do vírus, que se espalha com muita facilidade, como o da gripe comum. Basta que uma pessoa contaminada em um ambiente fechado espirre ou tussa sem os cuidados como o uso de lenços descartáveis e a lavagem frequente das mãos para que todos no local estejam expostos ao vírus.
Cerca de 59 milhões de pessoas já foram vacinadas. A meta do governo é cobrir 72 milhões. O prazo final da campanha é sexta-feira (21). Até lá, além dos adultos de 30 a 39 anos também poderão se vacinar gestantes que ainda não o fizeram, idosos com mais de 60 anos e portadores de doenças crônicas residentes no Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste e crianças de seis meses a dois anos que ainda precisam tomar a segunda meia dose destinada a esta faixa etária. (Jornal do Commercio, Brasil, 19/05/2010)
Inovação se faz com TI
Por Manuella Antunes
GUARUJÁ (SP) – Em áreas como saúde, meio ambiente, agricultura e educação, ela está lá. Com criatividade e espírito visionário, é possível trazer os benefícios da tecnologia da informação para cada um desses segmentos. A luta contra o HIV, o auxílio em situações de desastres, a ajuda aos agricultores e o incentivo à educação, por exemplo, foram alguns dos temas apresentados por cientistas no Faculty Summit 2010, evento promovido pela Microsoft Research, braço da gigante americana para pesquisa científica, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O encontro, que aconteceu na última semana, no Guarujá, litoral paulista, reuniu mais de 200 cientistas e pesquisadores de 16 países. “Apoiamos uma rede de pesquisas para que cientistas gerem conhecimentos ainda mais avançados em relação à ciência da computação e suas aplicações na saúde, na agricultura e no meio ambiente”, diz o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz. Só no ano de 2009, as instituições investiram, juntas, cerca de R$ 3,5 milhões em pesquisas. (Jornal do Commercio, Informática, 19/05/2010)
Filtros antispam contra a AIDS
Modelo teórico empregado na filtragem de mensagens não desejadas será usado para desenvolvimento de vacina que combata o vírus HIV
GUARUJÁ – Foi através da comparação entre os conceitos da biologia e das ciências da computação que pesquisadores da Microsoft Research iniciaram, nos Estados Unidos, uma pesquisa que poderá ajudar a resolver um dos maiores desafios da medicina das última décadas: a aids. Com o objetivo de desenvolver uma vacina para o vírus HIV, os cientistas criaram um modelo teórico baseado em pontos de intercessão entre os filtros antispam e uma pesquisa na área médica.
Doutor em ciências da computação e formado em medicina, o diretor sênior do Grupo de Ciência da Microsoft Research, David Heckerman, é o coordenador do PhyloD.net e falou sobre o projeto pela primeira vez no Brasil durante o Faculty Summit 2010. Ele conta que tudo começou quando, em 1997, criou o primeiro programa para filtragem de spam, que posteriormente foi agregado ao Hotmail. O princípio teórico dos filtros, que funcionam pelo método do conhecimento acumulado, é o mesmo até hoje.
Heckerman e sua equipe perceberam que, apesar de os spams serem muito diversificados, existiam algumas expressões que necessariamente estavam presentes nesses e-mails para que a mensagem fosse compreendida. “Os spams sempre trazem algumas palavras comuns. Isso porque querem nos vender algo, mas é através desses ícones repetidos que detectamos o conteúdo malicioso”, explica Heckerman.
Entretanto, segundo ele, o que torna os spams mais difíceis de serem combatidos é a disposição dos criadores em mudar a fórmula. Ao fazer isso, os desenvolvedores do filtro precisam identificar tudo novamente. O mesmo princípio pode ser aplicado na forma como o HIV age no corpo. “Uma vez dentro do organismo, o vírus incubado faz diversas mutações a fim de conseguir vencer o sistema imunológico e passar pelos anticorpos, para, assim, se reproduzirem livremente pelo corpo humano”, explica Heckerman. Ele conta, ainda, que a tentativa é provar que mesmo mudando a maior parte da cadeia genética para enganar os anticorpos, o vírus terá uma pequena parte do código que permanecerá original, pois tem a missão de carregar a informação básica sobre o HIV. “E serão nessas partes que nossa vacina atacará. Claro que tudo isso ainda está sendo estudado e pode ou não funcionar. De qualquer forma, é algo que ainda irá demorar, pois precisa ser testado, o que levará tempo.”
DIABETE
Ainda na área da saúde, uma pesquisa brasileira sobre a retinopatia diabética poderá também ajudar a melhorar a qualidade de vida e diminuir o risco de diabéticos de ficarem cegos. A doença é a maior causa de cegueira dos Estados Unidos e a segunda maior no Brasil em pessoas dos 20 aos 70 anos. “Ela se instala sem ser percebida e, quando dá os primeiros sinais, o risco já é muito grande”, explica o professor da Universidade de Campinas, Jacques Wainer.
Wainer é responsável por pesquisa que pretende desenvolver um software para ser instalado dentro de um retinógrafo, a fim de capturar imagens da retina e identificar se a foto está normal ou não. “Como é o sistema que identifica as fotos com problemas, o exame poderá ser feito por um técnico num posto de saúde. Caso haja alguma anormalidade, o paciente será encaminhado para o especialista”, explica.
Segundo o professor, isso desafogaria o sistema de saúde, uma vez que o exame precisa ser feito uma vez por ano em diabéticos. “Queremos garantir que todos tenham acesso ao procedimento.”
A pesquisa começou há um ano e a perspectiva é de que em 2011 seja instalado um retinógrafo em um posto de São Paulo para a fase de testes, época em que o banco de dados do programa terá cerca de 10 mil imagens. (M.A.)(Jornal do Commercio, Informática, 19/05/2010)
EDITORIAL -
Perda da biodiversidade
É válido prestar atenção ao “Terceiro Panorama Global da Convenção da Biodiversidade”, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU), revelando que os governos não cumpriram com a promessa de proteger a biodiversidade de seus países. Por consequência, muitas espécies de plantas e animais estão gravemente ameaçadas. De acordo com o relatório, a perda da biodiversidade biológica não só é constante, como também está se agravando. Vale acrescentar, que o ano de 2010 foi definido pela ONU como o Ano Internacional da Biodiversidade. Em virtude disto, foram analisados os esforços dos países signatários, inclusive o Brasil, “para uma redução significativa do ritmo atual de perda da biodiversidade em nível mundial, regional e nacional, como contribuição à redução da pobreza e em benefício de todas as formas de vida da terra”. A constatação foi que as ações foram insuficientes. “Apesar de os governos terem manifestado vontade de dar um basta na perda da biodiversidade, os resultados foram patéticos. A biodiversidade está sendo perdida em uma velocidade assustadora. Hoje, já temos mais de 400 espécies ameaçadas e este número é impreciso”, afirma o documento. De acordo com ONU, a perda da biodiversidade vem se intensificando por cinco fatores: destruição dos habitats, que são convertidos na maioria das vezes em plantações; mudanças climáticas; poluição; exploração não sustentável e introdução de espécies invasoras em diferentes ambientes. Entre estes, a destruição dos habitats se converteu no problema mais sério. O relatório da ONU esclarece a existência de outros problemas como a extinção, no século passado, de pelo menos 31 espécies de aves; a diminuição da diversidade genética de diferentes tipos de cultivo e de rebanhos; a rápida deterioração dos corais; a situação de perigo de extinção de um quarto das espécies vegetais, entre tantas outras situações alarmantes que necessitam de ações urgentes. (Folha de Pernambuco, Editorial, 19/05/2010)
Ofensiva contra o preconceito
Campanha publicitária lançada pelo Ministério da Saúde ataca diretamente a desinformação sobre o vírus HIV e a Aids. A falta de conhecimento em relação à doença é a maior causa de rejeição aos portadores
por Carolina Vicentin
"E então, o aidético já chegou?". A pergunta, feita por uma apresentadora de TV, poderia ter acontecido há 20 anos, quando o termo "aidético" ainda era comum para se referir aos portadores de HIV. Mas não. A apresentadora usou a expressão mais que incorreta há cerca de um ano. Pior: na frente de Christiano Ramos, 41 anos, portador do HIV há 22, que iria dar uma entrevista sobre como é conviver com a doença.

Apenas um na multidão: Christiano (de gravata), 41 anos, portador
do HIV há 22, dirige a ONG Amigos da Vida e luta diariamente contra
a desinformação. Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press
A apresentadora, sem graça, ainda tentou consertar: "Nunca imaginei que você fosse bonito desse jeito". O paciente Christiano, então, sorriu e fez de conta que o mal-estar sequer tinha ocorrido. "Aquela figura do Cazuza não existe mais. Mas ainda hoje a gente vê pessoas que são supostamente esclarecidas cometendo gafes como essa. Pior do que desinformação, é informação mal dada", ensina Christiano.
A situação vivida por ele é mais corriqueira do que se imagina, principalmente para os que decidem assumir a doença publicamente. José Carlos Veloso, 42 anos, foi demitido do emprego em uma rede de supermercados quando contou que era portador do HIV. "A empresa justificou a medida como corte de gastos. Mas eu entrei na Justiça e consegui provar que fui o único a ser mandado embora", lembra José Carlos. Isso aconteceu em 1992. Hoje, José Carlos é vice-diretor do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids de São Paulo (Gapa/SP). "Mas o que aconteceu comigo se repete ainda hoje. No departamento jurídico da Gapa, temos um caso como o meu toda semana", afirma ele.
O infectologista Alexandre Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia no Distrito Federal, diz que muitos portadores do HIV passam por esse tipo de situação por conta da falsa ideia de que, cedo ou tarde, a pessoa vai morrer. "Muita gente ainda acha que os remédios não 'seguram' a doença, que funcionam apenas como um paliativo. Isso não é verdade. O paciente pode ter uma sobrevida igual à de quem não tem o vírus", esclarece Alexandre. Outro mito sobre a doença diz respeito às formas de contágio. Mesmo comtodas as informações disponíveis hoje, muitas pessoas ainda acreditam que o HIV pode ser transmitido pelo beijo na boca, ao dividir a toalha ou os lençóis ou mesmo ao tomar banho juntos.

Samir, 25, professor: na campanha, contracenou com uma não portadora.
Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 1/12/09
"Quando eu contei para os meus colegas de trabalho, até o garçom começou a me tratar de um jeito diferente. Separava o copo e os talheres que eu usava", lembra Christiano Ramos. "O maior inimigo da Aids é o preconceito", diz ele, que se aposentou por invalidez e hoje dirige a organização não governamental Amigos da Vida. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no fim do ano passado confirma o cenário de exclusão. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ouviu 1.260 soropositivos e constatou que 20% deles perderam o emprego após o diagnóstico. "Apesar de a população brasileira ter alto nível de conhecimento sobre o vírus, os levantamentos mostram que o soropositivo vive com a sensação de preconceito constante", lamenta Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
Campanha -Por conta disso, o ministério lançou no ano passado a ofensiva publicitária Viver com Aids é possível, com o preconceito não. O material da campanha reforçava que portadores do HIV podem levar uma vida como a de qualquer um, inclusive, se relacionando com pessoas que não têm o vírus. "Foi a campanha mais bonita que eu já vi em relação à Aids. Deveria ser ainda mais divulgada", diz o infectologista Alexandre Cunha. As peças publicitárias tiveram a participação de portadores da doença. O professor de literatura Samir Amim, 25 anos, foi um deles.
"Eu já tinha aparecido na mídia antes, quando o ministério me convidou para fazer a campanha. Mas eu sabia que ia ser um pouco diferente. A repercussão foi muito maior", lembra o rapaz, que atuou no filmete O beijo. "Acabei sentindo mais o preconceito: de repente, eu entrava no elevador e as pessoas se apressavam para sair quando me reconheciam. Mas a minha determinação foi maior que isso", diz Samir. O professor contracenou com uma atriz não portadora do vírus. Ele conta que a jovem, Priscila Ferrari, também estava bastante decidida a participar da campanha, e Samir fez questão de ressaltar que a possibilidade de contágio era nula. "A saliva não transmite o vírus. Hoje, já se conhece muito sobre os reais riscos de transmissão", ressalta Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST/Aids. (Diario de Pernambuco, Brasil, 19/05/2010)
Gravidez possível
Os estudos e levantamentos realizados pelo Ministério da Saúde (MS) nos últimos anos mostram que a taxa de transmissão do HIV pode variar conforme o organismo do paciente. Isso significa que nem sempre o contato com as secreções de um portador pode significar o contágio da doença. Para se ter uma ideia, o órgão estima que, em 2008, cerca de 3 mil mulheres portadoras do vírus engravidaram naturalmente e tiveram filhos saudáveis. O MS formou dois comitês que estão discutindo orientações para mulheres soropositivas que desejam ter filhos. "Até o fim de junho, vamos ter um documento com recomendações sobre o assunto, para que a pessoa interessada possa tomar uma decisão bem informada", explica Mariângela Simão.
A vendedora Gisele Dantas, 40 anos, portadora do HIV desde 1998, teve seu segundo filho de uma gestação natural em 2001. Ela e o marido, também soropositivo, cumpriram à risca o acompanhamento da gravidez. Na hora do parto, Gisele tomou uma dose de AZT na veia, poderoso antiviral que evita a transmissão da doença através do sangue. O menino, hoje com 9 anos - e saudável -, tomou um comprimido do mesmo remédio duas horas após o nascimento. Com a prevenção bem feita, o risco de contágio da mãe para o bebê cai a menos de 1%.
O infectologista Alexandre Cunha afirma que ainda há muito folclore sobre a gestação de mães soropositivas. A gravidez é possível, ressalta Alexandre, mas sempre com o acompanhamento de um especialista. Quando o casal é sorodiscordante - um dos dois tem o HIV e o outro não - são recomendadas técnicas de fertilização. "Quando os dois são positivos, pode haver uma exceção para que a fecundação natural ocorra. Mas cada caso é um caso, é preciso avaliar com cautela", recomenda.
Ajuda da ciência
Casais sorodiscordantes podem ter filhos saudáveis utilizando recursos de fertilização. Quando a mulher tem o HIV e o homem não, o mais indicado é a inseminação artificial (fecundar o óvulo dentro da mulher). Se o homem for soropositivo e a mulher não, recomenda-se a inseminação com lavagem de esperma - técnica que retira o vírus da secreção - ou a fertilização in vitro (fecundar o óvulo fora do corpo da mulher). (Diario de Pernambuco, Brasil, 19/05/2010)
Ciência // Beleza natural
Empresas e centros de pesquisa buscam nas matas brasileiras substâncias que podem originar novos produtos para a indústria de cosmético
por Silvia Pacheco
Brasília - Quem compra um tubo de xampu ou um pote de creme hidratante muitas vezes não imagina todo o trabalho que há por trás do desenvolvimento dos produtos. O processo de fabricação dos cosméticos começa muito antes da fase de manipulação. Em primeiro lugar, é preciso descobrir matérias-primas com substâncias que provoquem os efeitos desejados e tenham princípios ativos compatíveis com o ser humano. Nesse sentido, a biodiversidade brasileira é um oásis para a indústria, que se abastece de plantas abundantes no país para criar suas novidades.
Diferentemente do setor farmacêutico, que pode lançar medicamentos que ficam à venda por décadas, a indústria da vaidade precisa de renovação constante. A vida útil de um cosmético é de cerca de cinco anos. Segundo Maria Del Carmem, doutora em farmacologia e diretora científica da Chemyunion, empresa brasileira que estuda e fabrica matérias-primas para o setor, a cada dois anos o mercado passa por uma reviravolta, com um novo marco sendo atingido a cada meia década.
"Agora é a vez das aquaporinas", afirma a cientista. A descoberta dessas proteínas, que estão revolucionando o mundo dos hidratantes, desvendou o processo pelo qual a água entra e sai das células. "Assim, quem encontrasse compostos para estimular a síntese de aquaporinas teria, pela primeira vez, um produto que hidrataria a pele de dentro para fora, com resultados possivelmente mais eficazes e duradouros", conta Carmem.
O segredo estava guardado dentro de uma árvore encontrada na Mata Atlântica e na caatinga, o angico-branco (Piptadenia colubrina). A descoberta surgiu de uma pesquisa que durou cinco anos e foi conduzida pela Chemyunion, com participação de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dez espécies de plantas chegaram a ser investigadas. Após todos os passos, foi desenvolvido o aquasense, extrato feito com a casca do angico-branco que pode ser adicionado às fórmulas de uma ampla linha de produtos. Atualmente, o ativo é vendido para as empresas Natura, Avon, Unilever, Loreal, Victoria's Secret e Estée Lauder.
Carmem conta que a próxima promessa para a cosmética é um ativo que está sendo desenvolvido a partir do óleo da semente do café-verde, ou café arábico. "Os testes nos mostram que o extrato tem alta eficácia na diminuição da gordura localizada e da celulite, como nenhum outro composto. Será uma revolução", aposta.
Antioxidantes - Outra iniciativa que alcançou bons resultados foi um estudo iniciada em 2005 por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O projeto comprovou a eficácia de quatro produtos à base de óleo das palmeiras de pupunha e buriti - espécies encontradas no cerrado e na Amazônia. Ambas são ricas em carotenoides, pigmento amarelado que dá cor à pele e é antioxidante, ajudando no combate aos radicais livres, que danificam as células do corpo. Por isso, substâncias antioxidantes são benéficas à saúde, deixando a aparência mais jovem.
O processo de extraçãodos óleos das palmeiras, que dura em média dois dias, requer muito cuidado. Se uma etapa for esquecida, os nutrientes podem ser modificados e todas as propriedades biocosméticas são perdidas. Atualmente os resultados da pesquisa estão à disposição das empresas. "A Natura já utiliza nossos compostos", comemora Helyde Marinho, pesquisadora do Inpa. "Esperamos que outras nos procurem."
Essas duas experiências são apenas um indício da gama de possibilidades oferecidas pelos biomas brasileiros. Para Luíz Cláudio Di Stasi, professor do Departamento de Farmacologia do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, que participou da seleção das espécies vegetais para a pesquisa do aquasense, o potencial biológico do Brasil ainda precisa ser muito estudado. "A biodiversidade brasileira, por ser enorme, é uma fonte inesgotável de matéria-prima, extratos ou substâncias de interesse e valor cosmético. Estamos apenas no início de exploração e poucos estudos estão sendo feitos sobre isso", aponta.
Helyde lembra, no entanto, que pesquisas estão sendo realizadas no Inpa com o intuito de detectar e divulgar possíveis extratos vegetais para a produção de cosméticos. "Há 40 anos, cientistas fazem o levantamento da composição dos extratos vegetais. Todos os resultados são conclusivos e estão abertos para qualquer empresa utilizar na sua produção. Basta nos procurar", sinaliza.
Água retida
Em 2003, o americano Peter Agre ganhou o prêmio Nobel de Química pela descoberta das aquaporinas, proteínas tubulares que formam canais entre as células. O achado permitiu entender como os tecidos do corpo, inclusive a pele, são capazes de reter tanta água. Para a indústria cosmética mundial, esse foi o tiro de largada da corrida por uma nova geração de hidratantes, com tecnologia inovadora. (Diario de Pernambuco, Brasil, 19/05/2010)

Diario de Pernambuco, Brasil, 19/05/2010)
Cultura e pesquisas de ponta
Com um mercado que movimentou R$ 25 milhões só no ano passado, o setor brasileiro de cosméticos destaca-se pelos grandes números. O país consumiu em 2009 mais de 1,5 milhão de toneladas de produtos de beleza. O Brasil lidera o ranking global de venda de desodorantes e é o segundo colocado nos de produtos para cabelos, protetores solares e perfumaria. De maneira geral, o brasileiro só não investe mais na própria aparência do que norte-americanos e japoneses.
Por trás desses números, há um longo processo que mistura tradição cultural, pesquisas de ponta e produção industrial. O ponto de partida, em grande parte das vezes, é a sabedoria popular. Ao observar o uso que comunidades dão a algumas plantas, os pesquisadores podem investigar se há naqueles vegetais substâncias que podem ser a base de novos produtos. "A seleção é baseada na composição de cada planta. Se ela tem uso medicinal, pode ser que também tenha potencial cosmetológico", revela Helyde Marinho, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
É a análise da composição que demonstra se a planta tem algum princípio ativo que possa ser usado na cosmética. "É importante entender como os princípios ativos se comportam, se eles são tóxicos ou não. Até porque há muitas espécies vegetais tóxicas na nossa biodiversidade", diz a pesquisadora. Depois da seleção, é hora de verificar se as espécies correspondem às expectativas. Para isso, são realizados testes em animais e, posteriormente, em humanos. "Nesse momento, estudamos o efeito dos ativos naturais na pele", explica Helyde. (S.P.) Diario de Pernambuco, Brasil, 19/05/2010)
Bolsas de estudo no Japão para mestres e doutores
Oportunidade // Programa inscreve até o dia 28 e tem duas vagas exclusivas para o Nordeste
O governo do Japão, por meio do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (Mext/ Monbukagakusho) está oferecendo a brasileiros 42 bolsas de estudo em nível de mestrado e doutorado.

Ex-bolsista Gustavo Cabral voltou no último mês de abril depois
de três anos e meio de estudos. Foto: Gustavo Limaverde /Divulgação
Duas são destinadas especialmente a residentes no Nordeste (Pernambuco, Alagoas,
Sergipe, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). As inscrições
acontecem até o dia 28 de maio. Os candidatos fazem as provas de seleção
em inglês e japonês (esta última não-eliminatória).
"Fiquei três anos e meio no Japão", contou o ex-bolsista Gustavo Cabral, que retornou do Japão em abril e fala japonês em nível "intermediário". "É que, na minha área, toda a literatura é em inglês", justifica o doutorando, que atualmente trabalha em um sistema de rastreamento de contêineres, um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco. "Também colaboro com o meu orientador em Tóquio e o meu ex-orientador do mestrado da UFPE, para continuar a pesquisa de doutorado e expandir a lista de publicações. Para quem não tem o domínio da língua japonesa, é oferecido um curso básico, realizado com o bolsista já no Japão, durante os seis primeiros meses da bolsa. O auxílio mensal é de 152 mil ienes, cerca de R$ 3 mil. O governo oferece ainda passagem aérea de ida e volta e isenção de taxas acadêmicas.
Para participar é preciso ter nacionalidade brasileira - excluindo-se brasileiros com dupla nacionalidade japonesa -, ter até 34 anos de idade, formação universitária e domínio da língua inglesa ou japonesa. A primeira etapa da seleção para o programa 2011 acontecerá no dia 7 de junho próximo, com provas escritas. A segunda e última, a entrevista, será em 16 de junho. Para se inscrever, o candidato precisa ir ao Escritório Consular do Japão no Recife. Quem não residir na Região Metropolitana e tiver dificuldade de se deslocar pode realizar a inscrição via postagem.
As oportunidades em ciências humanas se concentram nas áreas de administração de empresas, artes e design, ciências contábeis, ciências políticas, ciênciassociais, comércio exterior, comunicação, direito, economia, educação, filosofia, geografia, história, letras - japonês, marketing, relações internacionais e sociologia. Há bolsas voltadas também para as áreas de arquitetura, ciências da computação, design industrial, engenharia civil, engenharia da computação, engenharia de controle, engenharia elétrica, engenharia eletrônica, engenharia da informação, engenharia de materiais, engenharia mecânica, engenharia de produção, engenharia química, farmácia, física, geologia, informática, matemática e química. Na área de ciências biológicas e ciências da vida existem bolsas para as áreas de agronomia, biologia, biotecnologia, ciências da alimentação, ecologia e meio ambiente, educação ambiental, educação física, enfermagem, medicina, nutrição, odontologia, veterinária e zoologia. (Diario de Pernambuco, Vida Urbana, 19/05/2010)
Turbilhão de emoções
Pacientes com transtorno bipolar precisam lidar com desequilíbrios violentos entre crises de depressão e de mania. Adesão ao tratamento com estabilizadores de humor e antidepressivos, porém, permite controlar a doença
Por Márcia Neri

O economista Flávio* controla as crises com remédios, mas convive com a solidão. Foto: Valério Ayres/Esp. CB/D.A Press
Surtos de perseguição, confusão mental, alucinações e ideias de grandiosidade surpreenderam e transformaram a vida da fisioterapeuta Fátima da Silva*, 27 anos. Os sintomas surgiram há mais de 10 anos, quando ela soube que a mãe retirara um tumor maligno da mama.
Depois de uma leve depressão, a adolescente passou a sentir uma euforia
descontrolada. Comprava roupas e acessórios compulsivamente, imaginava
que todos estavam mentindo e que salvaria a mãe do câncer. Até receber
o diagnóstico de transtorno bipolar (TB), oito meses depois da primeira
crise, Fátima e a família desconheciam a doença. "A notícia nos devastou.
Estava na flor da idade e julguei que seria difícil controlar aquele
turbilhão de manifestações tão arrasadoras. Eu ficava irreconhecível,
me imaginei dependente de remédios por toda a vida, porque a bipolaridade
ainda não tem cura", relata.
Especialistas garantem, no entanto, que medicamentos estabilizadores e antidepressivos, associados à psicoterapia, tratam as crises e previnem novos surtos. Com o tratamento, Fátima voltou a estudar, concluiu o ensino médio, fez vestibular, foi uma universitária dedicada, se formou e estava no mercado de trabalho quando uma tremenda empolgação devido a todas essas conquistas lhe tiraram novamente a paz. Ela conheceu, então, um lado mais cruel do transtorno: o preconceito.
"Não dormia e falava sem parar, achava que era amiga de famosos. Fui internada para controlar a crise. Ainda na clínica, soube da minha demissão por conta do transtorno. Até hoje, pouquíssimas amigas sabem da minha doença. Uma delas, sem desconfiar do meu problema, aconselhou uma outra colega a fugir de um namorado bipolar. Meu porto seguro é a minha família, que me apoiou em todos os momentos. Sem eles, não conseguiria seguir em frente", acrescenta.
A bipolaridade é uma condição mais frequente do que se imagina. Dados da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar revelam que a patologia acomete cerca de 15 milhões de brasileiros. Quando não tratado, o malpromove grande sofrimento e chega a incapacitar os atingidos. "O paciente bipolar apresenta quadros de depressão alternados com exaltação de humor, expansão do comportamento, de desejos e de pensamentos. A predisposição genética é marcante, mas são os fatores ambientais os grandes responsáveis por desencadear as crises. A alternância pode ocorrer em semanas, dias ou horas", explica a psiquiatra e coordenadora do Laboratório de Psiquiatria e Humanidades da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), Maria das Graças de Oliveira.
O primeiro surto geralmente é desengatilhado por um fato marcante na vida da pessoa. À medida que vão ocorrendo, as crises ficam mais intensas - e podem ser provocadas por fatos corriqueiros. "A associação com a dependência de álcool e drogas é comum e agrava o TB, porque prejudica a adesão ao tratamento. A mortalidade é elevada e o suicídio marca a história dos pacientes que não conseguem se tratar", garante a médica. "A psicoterapia é uma aliada importante do tratamentopsiquiátrico. Ela promove a aceitação do problema e o autoconhecimento. Um paciente bem tratado pode levar uma vida normal."
Tabu - O economista Flávio Pereira*, 62 anos, teve a primeira crise enquanto se dedicava a uma pós- graduação, em 1976. A doença era um tabu e nem os médicos tinham bom entendimento do assunto. O diagnóstico foi revelado à esposa de Flávio em um envelope lacrado. "Tinha crises de depressão alternadas com surtos de extrema euforia e megalomania. Subia em mesas da Universidade de São Paulo (USP) para discursar, comprei um carro totalmente destruído, modelo 1954, imaginando que o deixaria novo em folha e me hospedei, sem ser convidado, na casa do meu chefe por três dias", relata. "A mente acelera e o doente geralmente não aceita as internações."
Na época do diagnóstico de Flávio, os episódios mistos de depressão e euforia eram tratados com remédios fortíssimos, que não controlavam a doença. "Já tentei o suicídio três vezes. Sinto falta de ter pessoas mais solidárias ao meu lado. Hoje, posso contar com drogas estabilizadoras de humor e a psicoterapia foi muito importante para eu entender o que se passa comigo. Infelizmente, minha família não me apoia e isso é comum na história dos bipolares. Eu me sinto sozinho", lamenta.
Para conhecer mais sobre a bipolaridade, os pais de Fátima ajudaram a criar em Brasília o Núcleo de Mútua Ajuda a Pessoas com Transtornos Afetivos (Apta). Nas reuniões do grupo, os pacientes percebem que não estão sozinhos. "Lidar com o TB é um desafio. Nos encontros, trocamos experiêcias, aprendemos com psiquiatras e ajudamos os pacientes a retomar a vida", explica o aposentado Edvaldo da Silva, pai de Fátima e diretor do Apta.
O psiquiatra Eduardo Tischer, do Programa de Distúrbios Afetivos e Ansiosos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pondera que é fundamental que o paciente tenha uma rotina, preze pelo sono e pelo lazer e invista em relacionamentos que tragam apoio. "Estudos tentam identificar os marcadores neurológicos para o TB. Cada paciente, entretanto,apresenta particularidades, e as terapias com psicólogos devem ser direcionadas às necessidades de cada um. Os medicamentos também são adequados caso a caso e reavaliados periodicamente. O importante é nunca abandonar o tratamento", alerta.
Livro - O publicitário Marcelo Diniz, 62 anos, está há mais de uma década sem crises. Ele acaba de lançar um livro (Crônicas de um bipolar, pela Editora Record) no qual conta como convive com o TB. "É um desabafo, no qual conto as situações que passei. Mas a bipolaridade ainda é desconhecida no Brasil e acho que o trabalho pode ajudar a minimizar o preconceito", diz. A obra relata de forma bem-humorada os apuros vividos por Marcelo. Pouco antes da passagem frustrada do cometa Halley em 1986, por exemplo, ele descobriu que o nome do corpo celeste ainda não havia sido registrado - nem no Brasil nem nos Estados Unidos. "Larguei o emprego e abri uma empresa para registrar a marca com o nome do cometa. Queria movimentar empresas de comunicação e entretenimento nos dois países.O bipolar imagina poder tudo. Já tentei também vender praças em minha cidade", diz.
O mais triste, segundo Marcelo, é que muitos bipolares não se tratam por medo de perder a criatividade. "Quando estamos eufóricos, porém, não criamos nada que preste. O processo criativo deve andar de mãos dadas com a racionalidade. A euforia é ilusão e a qualidade de vida de todo bipolar depende do tratamento", assegura.
- Nomes fictícios a pedido dos entrevistados
Serviço
Núcleo de Mútua Ajuda a Pessoas com Transtornos Afetivos (Apta) - (61) 3307-252 (Diario de Pernambuco, 20/05/2010)
Curativo vegetal
Pesquisa da USP desenvolve fibra a partir da mistura do bagaço da cana-de-açúcar e da quitosana, proteína extraída da carapaça de crustáceos. O produto pode originar novos tipos de bandagens e roupas especiais para pacientes queimados
por Gisela Cabral
O reaproveitamento de materiais que iriam para o lixo tem contribuído não só para a economia de recursos naturais e de energia como para a criação de produtos em diversas áreas, inclusive na de saúde. Resíduos abundantes na indústria do álcool e da pesca, o bagaço da cana-de-açúcar e a quitosana (proveniente da quitina extraída da carapaça de crustáceos) incentivaram uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que resultou em uma fibra com enorme potencial medicinal. A partir do acréscimo de enzimas e medicamentos específicos, a equipe da Faculdade de Ciências Farmacêuticas conseguiu obter um material que, no futuro, poderá ser usado como bandagens e curativos, e originar roupas apropriadas para pacientes feridos ou com queimaduras graves.

Fotos: Eduardo César/Divulgação
O objetivo da pesquisa é obter um tecido inteligente que não só proteja, mas também trate a área pretendida, conforme a necessidade. Para isso, os cientistas tiveram a ideia de unir a fibra obtida da celulose do bagaço e da palha da cana-de-açúcar às propriedades medicinais da quitosana. "A quitina é um polímero (macromolécula) extraído da carapaça de crustáceos (caranguejo, camarão, lagosta) e pode ser convertida em vários derivados, sendo um deles a quitosana, que possui propriedades bactericidas, fungicidas e cicatrizantes com grande capacidade de absorção de umidade. É um polímero abundante e um resíduo da indústria da pesca", explica a professora Silgia Aparecida da Costa, do curso de têxtil e moda da escola de artes, ciências e humanidades da USP. Além dela, participam do estudo a pesquisadora Sirlene Maria da Costa, do Centro de Têxteis Técnicos e Manufaturados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), e o professor e coordenador do projeto, Adalberto Pessoa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.
"Um curativo com a presença de quitosana (...) poderá absorver as secreções e atuar como bactericida, fungicida e, ao mesmo tempo, cicatrizante"
Silgia Aparecida da Costa - professora da USP
Segundo os pesquisadores, pacientes portadores de necessidades especiais, que costumam desenvolver feridas na superfície da pele também conhecidas como úlceras de pressão podem se beneficiar da técnica, no futuro. "Um curativo com a presença de quitosana, quando colocado sobre esse tipo de ferimento, poderá absorver as secreções e atuar como bactericida, fungicida e, ao mesmo tempo, cicatrizante. Dessa forma, utilizando uma roupa inteligente, o paciente poderá evitar ou diminuir o uso de pomadas e outros medicamentos durante o tratamento", destaca Silgia. Os cientistas esclarecem, ainda, que além da quitosana, é possível incorporar enzimas, fármacos e biomoléculas (compostos químicos sintetizados) que poderão atuar de forma específica, dependendo do tipo de tratamento a ser feito.

Diferentes formatos do material já desenvolvidos pelos pesquisadores:
promessa para a cicatrização de feridas
Testes - As fibras de celulose e de quitosana produzidas pelos pesquisadores da USP encontram-se em fase de testes mecânicos, químicos e bioquímicos. O objetivo é confirmar todas as propriedades existentes. De acordo com os cientistas, a próxima etapa consiste no desenvolvimento de estruturas como tecidos e malhas ou não tecidos (com aspecto parecido ao TNT) que poderão ser utilizadas na produção de roupas especiais e bandagens. "Isso será determinado de acordo com a resistência das fibras obtidas. Quando obtivermos uma dessas estruturas, partiremos para uma nova fase de testes de propriedades, que envolverão a avaliação da capacidade de absorção do material, da resistência, das propriedades bactericidas e fungicidas, do potencial de cicatrização de ferimentos, além dos testes de tingimento e conforto", enfatiza Sirlene.
Na visão da coordenadora do mestrado em biotecnologia da Universidade Positivo, no Paraná, Vanete Soccol, a ideia é interessante e pode vir a ser de grande utilidade para aqueles que dependem de tratamentos específicos. "É preciso, porém, que além do cultivo celular, as fases subsequentes se realizem. Porém, como perspectiva do desenvolvimento de um curativo de celulose de cana, a pesquisa se mostra bastante interessante", avalia.
Movimentos limitados
As úlceras de pressão são feridas comuns em pessoas que ficam muito tempo sem se mover, caso de cadeirantes e pacientes hospitalizados por longos períodos. Algumas regiões da pele acabam ficando prensadas entre a superfície na qual a pessoa se apoia e o osso, originando os ferimentos, que, em alguns casos, podem se aprofundar e, assim, servir de porta de entrada para bactérias e infecções. Quando as úlceras são recobertas por uma casca escura, são chamadas de escaras. (Diario de Pernambuco, Brasil, 20/05/2010)
Ação orienta homens sobre doença
Por Marcela Alves
A partir de hoje até o próximo domingo a Campanha Movimento pela Saúde Masculina estará na beira-mar do Recife, orientando a população masculina sobre a prevenção e o tratamento de doenças como a disfunção erétil, a andropausa e a doenças da próstata. A caravana, idealizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que já passou por vários municípios e seguirá para Brasília e Goiana, pretende conscientizar homens, a partir dos 18 anos, sobre a importância da prevenção das enfermidades da próstata.

UNIDADE móvel atenderá o público até domingo
O projeto é desenvolvido em uma unidade móvel de 52 metros quadrados. O caminhão é adaptado com uma infraestrutura com consultórios, salas para exames e recepção. No espaço, o médico traça o perfil do visitante, orienta e, caso necessário, o encaminha à uma unidade pública de saúde mais próxima para que os devidos cuidados sejam tomados. Um psicólogo de plantão também estará disponível para atender os visitantes.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, em Pernambuco, Carlos Souza, espera uma adesão maciça da população à campanha. “A previsão é de atender 120 pessoas por dia. Esse número, provavelmente, será maior diante das experiências em outras cidades”.
“Essa é uma campanha de esclarecimento da população masculina acerca das doenças que diminuem a qualidade de vida deles”, pontuou Carlos. “Queremos conscientizá-los da necessidade de fazer os exames anuais de prevenção dessas enfermidades. É muito difícil um homem procurar o médico em caráter preventivo. A maioria só chega quando está doente”, acrescentou o médico, que analisa a resistência em realizar exames preventivos como principal vilão da saúde do homem.
De acordo com Carlos, um câncer de próstata tem 90% de chance de cura se descoberto com precocidade, mas na maioria das vezes o paciente já chega ao consultório com o tumor instalado. Essa realidade não é diferente de outras doenças. “Quarenta por cento da população masculina sofre com a disfunção e pouquíssimos procuram ajuda”, concluiu o médico. (Folha de Pernambuco, Grande Recife, 20/05/2010)
Recife prorroga vacinação contra a Gripe A(H1N1) até o dia 28
A Secretaria Municipal da Saúde do Recife prorrogou até o dia 28 de maio a vacinação contra a gripe A (H1N1), a gripe suína. O prazo de imunização para pessoas de 30 a 39 anos, último grupo prioritário da campanha, deveria ser encerrado nesta sexta-feira. Até o novo prazo final, todos os demais grupos também poderão ser imunizados.
Dos 30 milhões de pessoas de 30 a 39 anos, o Ministério da Saúde pretende vacinar pelo menos 24 milhões, ou seja, 80%. Neste grupo, oito milhões de doses foram aplicadas até o momento em Pernambuco, o equivalente a 27% da meta. A ampliação da estratégia para os adultos nesta faixa etária, anunciada em fevereiro, considerou o grupo com maior número de hospitalizações e mortes depois daqueles priorizados nas etapas anteriormente definidas: crianças até dois anos de idade, idosos, doentes crônicos, grávidas e adultos de 20 a 29 anos.
O Brasil já aplicou mais de 15% de todas as doses de vacina contra H1N1 distribuídas em todo o mundo. Até a sexta-feira passada, 57 milhões de brasileiros dos grupos prioritários foram até os postos de saúde para receber a vacina.
Os profissionais de saúde e as crianças menores de 2 anos já superaram a meta e vacinaram 100% do público-alvo. Nos demais grupos, o Ministério da Saúde contabiliza a vacinação de 86% dos portadores de doenças crônicas (18,1 milhões), 66% das gestantes (2 milhões) e 75% de adultos de 20 a 29 anos (26,4 milhões).
As gestantes que ainda não se vacinaram também podem procurar os postos de vacinação. Além disso, os responsáveis por crianças entre 6 meses e menores de 2 anos devem ficar atentos para aplicar a segunda meia dose da vacina, feita trinta dias depois de tomada a primeira.
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR, com informações do repórter Ed Wanderley (Diario de Pernambuco, Vida Urbana, 21/05/2010)
Fábrica de plantas
Pesquisador da Embrapa cria biorreator capaz de acelerar o crescimento de mudas de diferentes espécies. Processo consegue ser até 10 vezes mais rápido que a técnica convencional e atrai o interesse de empresas do setor, que já começam a testar o equipamento
por Sílvia Pacheco
Brasília - Um equipamento capaz de clonar mudas de plantas de alto interesse agrícola foi desenvolvido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, órgão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

O pesquisador João Batista: clonagem de mudas de frutas e flores
ornamentais. Foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press - 26/1/10
A invenção é uma espécie de fábrica de plantas que consegue acelerar o processo de multiplicação das mudas. O sistema, já disponível para o setor produtivo, foi idealizado por meio de um biorreator por imersão temporária que funciona a partir de frascos de plástico, ou vidro, interligados por tubos de borracha, pelos quais as plantas recebem ar e solução nutritiva.
João Batista Teixeira, pesquisador da Embrapa e criador do equipamento, explica que o biorreator é um mecanismo complementar dentro de um laboratório de produção de mudas. O material a ser multiplicado é preparado de forma convencional, no chamado cultivo in vitro, e depois é transferido para o biorreator, para a fase de multiplicação, alongamento e enraizamento. "O equipamento não é uma unidade completa. Existe uma fase anterior, que começa com a coleta e o isolamento de material vegetal, passando por sua esterilização e inoculação", explica.
O segredo está no sistema de imersão. Há frascos posicionados na frente e atrás do equipamento. Os da frente são ligados um a um aos de trás. Na parte anterior, está o material a ser multiplicado (a gema da planta). No fundo, fica o meio de cultura, que é uma solução com macronutrientes - espécie de sopa composta de sacarose, aminoácido, sais minerais, algumas vitaminas e hormônio vegetal. De tempos em tempos, o meio de cultura passa para o frasco da frente e depois retorna para o frasco de trás (veja arte).
"O equilíbrio desses nutrientes e a forma como eles são passados às mudas - tempode injeção de ar e imersão de nutrientes - é que definem a qualidade desejada pelo rodutor", esclarece o pesquisador. Outro ponto importante é que o material (no caso, a muda) não fica em contato direto com o meio de cultura, por isso o mecanismo é chamado biorreator por imersão temporária. "Há vários tipos de biorreatores, mas o de imersão temporária é o que tem dado melhores resultados", atesta Teixeira.
Produtividade - Entre as vantagens do processo com o biorreator em relação aos métodos tradicionais de produção de mudas, Teixeira cita a redução do uso de mão de obra, a aceleração do ciclo de produção, o aumento da produtividade e a diminuição do custo da muda final. Isso porque no processo convencional são utilizadas centenas de frascos para um determinado número de plantas. No biorreator, é possível usar apenas um grande recipiente para a mesma quantidade de mudas. "A fase final do processo, que é a de multiplicação e alongamento das mudas, é que demanda muita mão de obra. Com o biorreator, esse trabalho diminui e o custo final da muda cai em 40%", informa o pesquisador.
Segundo Teixeira, no biorreator podem se desenvolver cerca de 200 mudas, enquanto no sistema convencional apenas cinco mudas progridem. "Além do biorreator oferecer mais espaço para que as mudas cresçam, o sistema de imersão faz com que elas se desenvolvam segundo as especificações dos produtores. Isso é um ganho expressivo para essas empresas", esclarece o pesquisador. O biorreator proporciona, também, economia de espaço. Com ele, são usados menos insumos e reagentes para que a planta se desenvolva, e, assim, há menos resíduos para o meio ambiente.
Devido à grande adaptabilidade do equipamento a diversas espécies vegetais, o pesquisador acredita que ele possa ser eficaz em setores como fruticultura e plantas ornamentais. "Abacaxi, banana, morango, eucalipto, bromélias, plantas ornamentais, orquídeas, batata, batata-doce, café, cana-de-açúcar, plantas medicinais. É um bom número de plantas que podem se valer do biorreator", conta Teixeira.
Mercado - Essas vantagens despertaram o interesse de dezenas de biofábricas no país interessadas em testar o equipamento. A primeira será a Bioclone Produção de Mudas, de Fortaleza, que faz parte do Programa de Incubação da Embrapa desde 2008. Segundo
Marcelo Caracas, agrônomoe sócio da biofábrica cearense, o equipamento será fundamental para acelerar a produção de mudas de abacaxi, banana e cana- de-açúcar, além de resultar na obtenção de plantas com mais uniformidade e qualidade para atender as exigências do mercado consumidor.
"A produção de mudas clonadas no biorreator, comparada à produção no sistema convencional, chega a ser 10 vezes maior, dependendo da espécie", relata Caracas. O agrônomo também destaca a redução do custo final das mudas. De acordo com ele, só a mão de obra significa 70% do preço final para o mercado. Porém, com o uso do sistema desenvolvido pela Embrapa, esse custo será reduzido, trazendo ganhos tanto para a empresa como para o mercado. "No sistema convencional, utilizamos quatro pessoas manipulando 200 mudas. Com o biorreator, vamos precisar de apenas uma pessoa", explica. (Diario de Pernambuco, Brasil, 21/05/2010)
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