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Os genes da dúvida
Prevenção polêmica de doenças
Drible nas leis de seleção natural
Remédio falsificado
Cialis é campeão da pirataria
Novo tratamento contra HIV poderia evitar 10 milhões de mortes até 2025
Os genes da dúvida
Exames que podem traçar o destino da saúde humana reativam no meio científico a discussão ética sobre o tema e provocam dois efeitos antagônicos - a perspectiva de terapias mais eficientes contra o câncer e o preconceito social
por Tatiana Sabadini
Brasília - Imagine poder descobrir se daqui a dez anos você vai ter algum tipo de câncer, diabetes ou mal de Alzheimer. Fazer um teste genético para detectar alguma doença, parecia uma ideia de ficção científica, mas está cada vez mais perto da realidade.

Para Cristiano Guedes, da UnB, os testes não poderão definir com absoluta segurança o destino das pessoas: O estilo de vida e a interferência do meio ambiente anulam garantia dos resultados. Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press
Com a sentença de um resultado positivo, além do susto inicial e a força de vontade para enfrentar um longo caminho de prevenção, podem chegar outras consequências. Para começar, o empregador pode não querer arcar com os custos de um funcionário com pouca saúde ou a companhia de seguros aumentaria em dobro um plano para um doente em potencial. A inovação da medicina causa polêmica entre especialistas e deve trazer à tona uma nova forma de discriminação.
Com apenas US$ 30 dólares, é possível escolher um kit genético na farmácia e fazer o teste em casa. Essa é a proposta da empresa farmacêutica norte-americana Walgreens. O processo é simples, basta o comprador seguir as instruções da bula para coletar uma amostra da saliva, colocar o material em um envelope padrão e enviá-lo para um dos laboratórios da companhia para análise. O exame promete revelar se as pessoas têm predisposições para diversas doenças. O produto ainda não chegou às prateleiras porque foi barrado pelo órgão regulador do governo norte-americano, o Food and Drug Administration (FDA).
Para o especialista em discriminação genética, doutor em ciências da saúde e professor da Universidade de Brasília (UnB), Cristiano Guedes o acesso ao teste não é sinônimo de segurança, muito menos de garantias de prevenção ou tratamento. "Os exames sem respaldo do atendimento e do aconselhamento médico não fazem sentido. A informação nem sempre é bem-vinda. Ela pode ser uma sentença, principalmente quando não se tem tratamento para a doença e isso pode causar preocupações, depressão e mudar a vida de alguém", analisa o pesquisador.
Complicações
O fácil acesso ao exame genético também pode desencadear uma série de preconceitos. Na hora de arrumar um emprego, o candidato pode ter que apresentar não apenas o histórico médico como o futuro. Um seguro de saúde pode sair muito mais caro para o recém-nascido que pode ter diabetes em 30 anos. "Acreditar muito na profecia genética pode enterrar muitas carreiras. Existe o caso, por exemplo, do jogador Lassana Diarra, que foi afastado da seleção francesa antes da Copa do Mundo, depois que um exame apontou uma anemia falciforme. É uma má-formação genética, mas sem dados concretos e isso acabou com o sonho dele de jogar no mundial", explica Cristiano.
Nos Estados Unidos uma lei, aprovada em 2008, protege o cidadão americano de sofrer algum tipo de discriminação baseada em informações genéticas, principalmente por parte de empregadores e por companhias de seguro de saúde. Para a especialista Karen H. Rothenberg, professora do Departamento de Direito da Universidade de Maryland, uma reforma na legislação pode servir como uma proteção para outros países, como o Brasil.
"Com o aumento do interesse pela informação e testes genéticos, oprimeiro passo é garantir a proteção jurídica. Acredito que vamos ter uma questão de existencialismo onde o grande desafio será ver como as famílias e a comunidade vão colocar essa informação sobre a saúde delas em seu ambiente", disse a pesquisadora ao Correio Braziliense/Diario, por e-mail.
Expectativa
A indústria farmacêutica também deve lançar no mercado testes genéticos para descobrir incompatibilidade com substâncias, como cafeína, medicamentos que combatem o colesterol, anticoagulante varfarina e tamoxifeno utilizado para combater o câncer de mama. A grande polêmica é sobre um exame para casais poderem descobrir se eles são portadores ou não de 23 variações genéticas que predispõem os filhos a doenças hereditárias, como a talassemia (um tipo de anemia) ou a ter os rins policísticos; predisposição a leucemia, esclerose múltipla e doenças cardiovasculares. (Diario de Pernambuco, Brasil, 11/07/2010)
Prevenção polêmica de doenças
No Brasil, um projeto de lei que discorre sobre o tema (o de n° 4610) - elaborado em 1998 - ainda tramita pelo Congresso Nacional. O texto passou por diversas comissões, foi modificado e agora espera para ser votado em plenário. "Esse assunto é pouco explorado no nosso país.

Virgínia defende os exames porque seus resultados poderiam representar a cura ou a prevenção de vários tipos de doenças. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press
É preciso ter clareza e responsabilidade quando o tema é genético. A ciência pode disponibilizar a tecnologia e ajudar a prevenir doenças, mas se os resultados forem deturpados, o benefício é nulo", comenta o professor Cristiano Guedes.
Na ficha médica de Virgínia Duarte de Aguiar, 38 anos, há várias histórias de câncer de mama na família, como ocorreu com a avó, a mãe e a tia. Dois tios também lutaram contra a neoplasia, no intestino e na pele. Mesmo que ainda não tenha atingido a idade recomendada, 40 anos, para fazer um exame de mamografia, ela teve a primeira experiência esse ano. "Geralmente, quando conto o meu histórico aos médicos, eles se preocupam. Sigo as recomendações e faço a prevenção. Mas procuro não me fixar muito nisso, senão a gente enlouquece, sabe? Tento levar um vida normal, não ficar muito encucada, mesmo porque, a cada dia que passa, vejo que essa é uma doença muito emocional", conta a funcionária pública.
O teste genético pode criar uma demanda pela necessidade de saber o futuro e uma grande expectativa que pode pautar a vida de todos, segundo a antropóloga do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, Débora Diniz (Anis). "É óbvio que todos nós vamos morrer, mas uma má-formação genética se torna sentença. Essa pode ser uma das formas mais perversas de discriminação porque seremos definidos por nossos genes e não deve ser assim. E o pior: não temos dispositivos para colocar um freio nisso", comenta a especialista.
Para os especialistas, apenas o DNA não pode definir o destino de cada um. "Você não é fruto do genótipo, o ambiente onde você vive, a sua alimentação e estilo de vida também podem influenciar. Você pode se aproveitar de um diagnóstico, porém não existem garantias", comenta Cristiano.
Se tivesse acesso a um teste genético que indicasse se ela teria um câncer ou não no futuro, Virgínia faria sem hesitar. "Gostaria de saber, me preparar. De repente, mudar o ritmo de vida, participar de algum estudo científico. Fico impressionada como a medicina evolui e, quem sabe, eles não encontrarão a cura ou alguma forma de prevenção com esses testes", indaga a funcionária pública.
Com apenas 27 anos, Ana Paula Faria viu mãe e uma tia sofrerem com câncer de mama e a avó com um de intestino. Assim como Vírginia, ela também gostaria de fazer o teste, mas com algumas ressalvas. "Só faria um exame se ele tivesse um respaldo científico muito forte e se a minha médica aprovasse. Ele pode ter uma probabilidade funcional e isso me impulsionaria a criar formas de evitar a doença", comenta a técnica de laboratório.
Discriminação
O projeto de lei n° 4.610, que ainda espera na fila de votação em plenário, na Câmara dos Deputados, define os crimes resultantes de discriminação. O texto alerta que a realização de testes genéticos só é permitida com finalidades médicas ou para pesquisa com o aconselhamento de um profissional habilitado. A pena para quem "negar cobertura por seguro de qualquer natureza com base na informações genéticas" é de detenção de três meses a um ano e multa. (Diario de Pernambuco, Brasil, 11/07/2010)
Drible nas leis de seleção natural
Campanhas de vacinação são esperança brasileira contra a mortalidade infantil em decorrência de pneumonia
por Flávia Duarte
Darwin falava de seleção natural. O exemplar mais fraco da espécie, aquele especialmente vulnerável a doenças, caminhava rumo à extinção. Esse risco nunca deixou de assustar os seres humanos, dizimados aos milhares por vírus e bactérias. Felizmente, os avanços da medicina nos legaram uma importante invenção: as vacinas. Graças a elas, epidemias foram controladas e incontáveis vidas, poupadas.

Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
O funcionamento das vacinas é simples: injeta-se no organismo uma forma atenuada ou morta do vírus. Isso basta para estimular nosso sistema imunológico e criar resistência extra contra a forma agressiva do agente infeccioso. De acordo com o Sabin Vaccine Institute, as campanhas de vacinação salvam, por ano, cerca de 2 milhões de crianças menores de cinco anos. A má notícia é que esse mesmo número de meninos e meninas continua morrendo em decorrência de doenças que seriam facilmente evitáveis pelo uso da substância.
No Brasil, as enfermidades desse gênero que mais preocupam sãoas chamadas doenças pneumocócicas, causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. O microrganismo provoca pneumonia, otite, meningite e diversas doenças respiratórias. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, a cada hora, duas crianças são vitimadas por males dessa ordem. A maioria delas é brasileira, confirma a pediatra Gail Rodgers, diretora de vacinas da Pfizer. "O risco de uma criança brasileira com pneumonia morrer é de mais de 60%", aponta. As estatísticas seriam menos cruéis se houvesse uma imunização ampla.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar no Brasil a adoção da Prevenar 13, vacina que protege contra os 13 tipos mais agressivos de bactérias causadoras de pneumonia. Ela é indicada para lactentes e crianças entre 6 semanas e 6 anos de idade incompletos. A vacina foi desenvolvida com os mesmos fundamentos científicos de Prevenar 7, a primeira vacina pneumocócica conjugada lançada em 2000 e já aplicada por aqui. A nova versão do imunizante contém os sete sorotipos de Prevenar (4, 6B, 9V, 14, 18C, 19F e 23F) e mais outros seis (1, 3, 5, 6A, 7F e 19A) que estão entre os que mais atingem as crianças em todo o mundo, incluindo o Brasil.
A nova vacina foi produzida após longos anos de pesquisa pela Pfizer, em Pearl River, nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, leva-se quase um ano para concluir uma dose. São meses entre a fermentação do polissacarídeo (encontrado nas membranas externas das células de cada um dos diferentes cepas bacterianas que se ligam a uma proteína de transporte), a clarificação e a purificação.
A vacina Prevenar 13, no entanto, só está disponível no Brasil em clínicas particulares. Ao longo de 2010, o Ministério da Saúde promete incorporar ao calendário básico de vacinação as vacinas pneumocócica 10 valente, que imuniza contra 10 sorotipos causadores da doença. "O imunizante será fabricado no Laboratório Biomanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)", diz nota do Ministério. Quem não quiser esperar, porém, pode se imunizar pagando pela doseem clínicas particulares. É a medicina mais uma vez driblando as leis da seleção natural. (Diario de Pernambuco, 11/07/2010)
Remédio falsificado
Anvisa e DPDC lançam cartilha com dicas para identificar quando o produto é verdadeiro e evitar riscos para a saúde do consumidor
por Rosa Falcão
Comprar medicamentos não é tão simples quanto escolher um sapato ou uma roupa. Concorda? Mesmo assim, a maioria das pessoas sai mais rápido da farmácia do que das lojas dos shoppings. Descaso? Desatenção? Desinformação? Pode se dizer que é uma mistura desses fatores que fazem o consumidor levar o remédio para casa sem observar alguns itens de segurança.

Eliud faz pesquisa de preço e Eurídice Ferreira é cuidadosa na hora da compra de medicamentos
De olho nos riscos, a Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e o DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) lançaram uma cartilha com dicas para o consumidor identificar se os medicamentos são verdadeiros ou falsificados. Leitura fundamental para preservar à saúde e evitar problemas como intoxicações e complicações mais sérias que podem levar até a morte.
A primeira dica é ficar de olho na embalagem que deve estar lacrada e com a rotulagem em português. A Anvisa alerta que muitos produtos falsificados apresentam erros grosseiros de ortografia no rótulo. É importante comprar remédios em locais seguros, como as farmácias e drogarias, que tenham a Autorização de Funcionamento da Empresa (AFE) e a Autorização Especial (AE) para a comercialização de produtos controlados. Evite a compra de medicamentos de ambulantes, em feiras ou pela internet. Além disso, o produto deve ter o número de registro e o nome do fabricante.

Fotos: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A Press
A funcionária pública Eurídice Ferreira de Lima, 56 anos, é diabética e usa medicamentos de manutenção. Cuidadosa, todos os meses ela procura as farmácias conhecidas e verifica com cuidado as embalagens. "Observo o nome do remédio, a data de validade para ver se está vencida, e se a caixa está lacrada", ensina. Já o porteiro Eliud Marinho, 27 anos, faz pesquisa em vários estabelecimentos e costuma comprar na farmácia que oferece o menor preço. "Às vezes eu observo a embalagem, principalmente o lacre e a validade. Até agora nunca tive problemas", justifica.
Não é tão simples assim como pensa Eliud. De acordo com o presidente do Sincofarma-PE (Sindicato das Farmácias de Pernambuco), José Cláudio Soares, éalto o índice de falsificação de medicamentos no Brasil. Ele faz um alerta: desconfie dos preços baixos. Soares diz que o mais grave é que a população em geral é desinformada e não observa com cuidado a embalagem dos produtos. "Para o leigo é difícil identificar se o remédio é contrabandeado. A falsificação é bem feita. Acontece em antibióticos e medicamentos mais comuns, como os xaropes". Ele cobra das autoridades sanitárias fiscalização mais eficiente, em especial nos municípios do interior. "É preciso maior seriedade nessa questão dos medicamentos porque a falsificação é um risco para a população e pode levar até à morte". (Diario de Pernambuco, Economia, 11/07/2010)
Cialis é campeão da pirataria
A Anvisa realiza periodicamente operações com a Polícia Federal para fiscalizar o mercado subterrâneo de medicamentos. São produtos contrabandeados e falsificados que acabam chegando às farmácias, e o pior, na casa dos consumidores. De acordo com o chefe de inteligência da Anvisa, Adilson Bezerra, o campeão de falsificação é o Cialis da empresa Lilly do Brasil. Em seguida vem o Viagra, depois o Deca-Durabolin, prescrito para reposição hormonal em idosos, e o anabolizante Durateston.
Segundo Bezerra, ao localizar os medicamentos contrabandeados, falsificados ou sem registro, os fiscais lacram o estabelecimento e aplicam uma multa que varia de R$ 1.500 a 1,5 milhão. Além disso, a pessoa que for pega comercializando remédios adulterados é presa em flagrante delito porque a infração é considerada crime contra à saúde pública. A punição prevista no artigo 273 do Código Civil é de 10 a 15 anos de reclusão.
A Anvisa lançou há dois meses uma campanha de orientação para a população identificar o remédio verdadeiro. Acartilha é uma das etapas da campanha. Segundo Bezerra, o objetivo é estimular as pessoas a conhecerem os itens de segurança nas embalagens dos medicamentos. Primeira dica: observar se o remédio está dentro da caixinha, se existe o lacre ou a cola na embalagem, e se tem o selo de segurança do fabricante. "Se a caixa estiver aberta é o primeiro sinal para não adquirir o medicamento porque pode configurar que ele é clandestino ou falsificado", diz.
Andiara Maria Braga Maranhão, coordenadora geral de supervisão e controle substituta do DPDC, reforça as recomendações da Anvisa: "A campanha é importante para prevenir danos à saúde do consumidor. O produto pirateado ou contrabandeado expõe o comprador aos problemas de saúde, intoxicação e até a morte". Segundo ela, o DPDC lançou outros boletins que tratam sobre a pirataria de medicamentos que podem ser acessados pelo endereço www.mj.gov.br/dpdc. No caso de denúncias sobre falsificação, o consumidor poderá procurar as Vigilâncias Sanitárias nos municípios ou ligar para o Disque Saúde (0800 61 1997). A ligação é gratuita. (Diario de Pernambuco, Economia, 11/07/2010)
Novo tratamento contra HIV poderia evitar 10 milhões de mortes até 2025
Agência EFE
Genebra - Ao menos dez milhões de mortes causadas pelo vírus do HIV e um milhão de novas infecções poderiam ser evitadas em 2025 caso seja aplicado um novo tratamento proposto pela Unaids (Agência das Nações Unidas na Luta Contra a Aids): o 2.0.
"Trata-se de simplificar a maneira na qual atualmente os tratamentos contra o HIV são fornecidos e aumentar o acesso a estes remédios", disse Michel Sidibé, diretor-executivo da Unaids, durante a apresentação em Genebra do relatório 2010, preâmbulo da Conferência de Viena sobre aids da próxima semana.
O 2.0 é um tratamento que engloba iniciativas para a prevenção do HIV, novas práticas para sua detecção e fórmulas inovadoras para criar remédios mais eficientes, embora nenhuma delas tenha sido aplicada ainda.
Sidibé explicou que o 2.0 "reduziria os custos dos tratamentos e o nível tóxico dos anti-retrovirais", combinação que "facilitaria o acesso aos remédios drasticamente", com uma previsão de redução de dez milhões de mortes e um milhão de infecções em 2025.
Hoje, só cinco milhões dos mais de 15 milhões de infectados pelo HIV no mundo têm acesso a tratamentos, por isso que a Unaids propõe que os países doadores unam seus esforços para iniciar o 2.0 e criar "pílulas mais singelas e menos tóxicas", "melhorar a prevenção" e aumentar "o número de testes de detecção gratuitos".
O estudo da Unaids também contempla que os jovens - entre 14 e 25 anos - estão liderando o atual processo de luta contra a Aids, já que a prevalência do HIV entre este setor da população diminuiu mais de 25% em 15 dos 25 países mais afetados pela pandemia.
Na Costa do Marfim, Etiópia, Quênia, Malawi, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue os índices diminuíram e também foram detectadas mudanças positivas no comportamento sexual dos jovens, detalha o relatório.
Também no Burundi, Lesoto, Ruanda, Suazilândia, Bahamas e Haiti os jovens começam a tomar mais precauções para frear o número de contágios e esperam mais tempo até se tornarem sexualmente ativos.
Apesar destas mudanças positivas, ainda há pelo menos cinco milhões de jovens no mundo com HIV.
O relatório aponta que 30 anos depois da descoberta da epidemia pelo menos 60 milhões de pessoas foram infectadas e 25 milhões morreram devido às chamadas doenças oportunistas, que emergem após o contágio.
Além disso, das 33,4 milhões de pessoas que vivem na atualidade com HIV, a metade são mulheres.
Entre os dados favoráveis, o relatório da Unaids relata que a pandemia estabilizou-se na maior parte das regiões, embora seus índices sigam aumentando no leste da Europa e no centro da Ásia devido as elevadas porcentagens de novas infecções.
A África Subsaariana continua sendo a região mais afetada do planeta já que em 2008 foram registradas na região 71% das novas infecções mundiais.
Além disso, o acesso das mulheres aos preservativos femininos aumentou de forma extraordinária, com um número recorde de 50 milhões em 2009.
Uma pesquisa realizada pela Unaids para a elaboração do relatório coloca que hoje em dia o HIV continua sendo um dos principais problemas que a sociedade enfrenta.
"Estamos em um momento crucial para poder criar um novo enfoque de luta contra a Aids", disse Sidibé.
A proposta da Unaids é que os países apostem forte em um novo modelo de luta, como pode ser o tratamento 2.0 que a organização promove: "uma nova resposta para frear a pandemia", concluiu Sidibé. (Folha de Pernambuco, 13/07/2010)
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