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Índice das Notícias
Mortalidade infantil cai 61% em duas décadas
UFPE cria vírus artificial de HIV
Patenteamento de célula sintética gera polêmica
Coquetel anti-HIV reduz a transmissão do vírus
UFPE inicia testes em julho
Lafepe investirá R$ 10,7 milhões
Carinho e franqueza
Controle da transmissão
Mortalidade infantil cai 61% em duas décadas
Estudo publicado pela revista The Lancet mostra que em 1990 morreram 52 crianças por mil nascimentos no Brasil, enquanto este ano taxa é de 19,8
SÃO PAULO – A mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% nas últimas duas décadas, segundo estudo divulgado pela revista britânica The Lancet. Embora tenha subido nove posições no ranking de nações que melhor enfrentam o problema, o País ainda está na 90ª colocação, com índices bem mais altos que países desenvolvidos. Os piores indicadores estão nas regiões Norte e Nordeste.
As mortes de crianças entre 0 e 5 anos no Brasil passaram de 52 por mil nascimentos em 1990 para 19,8 por mil em 2010. A taxa anual de redução entre 1970 e 2010 foi de 4,8%, apontou o estudo. Se continuar assim, o País poderá atingir antes de 2015 uma das metas do milênio: reduzir em dois terços a mortalidade infantil.
Para Marcia Furquim de Almeida, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, a melhora dos índices brasileiros é explicada pela expansão da assistência médica e pela interiorização da atenção básica promovida pelo Programa Saúde da Família.
“Nós, do Ministério da Saúde, e as organizações internacionais que nos monitoram temos convicção de que vamos cumprir a meta até 2013”, diz Adson França, assessor do ministro José Gomes Temporão. Para isso, diz ele, foi firmado um pacto entre o governo federal e os governos estaduais e municipais do Nordeste e da Amazônia Legal. “Elegemos 256 municípios dessas regiões como prioridade, pois neles se concentram 50% das mortes”, conta França.
Apesar da melhora, o Brasil ainda está longe de países europeus como Islândia e Suécia, onde a taxa de mortalidade infantil é menor que 3 por mil nascimentos. Também perde na comparação com outros países em desenvolvimento, como Chile (6,48 por mil), Argentina (12,8), China (15,4) e México (16,5).
O estudo mostra ainda que as mortes de crianças em todo o mundo parecem ter diminuído em ritmo mais rápido que o previsto pelas autoridades. Cientistas calcularam que 7,7 milhões de menores de cinco anos morrerão em 2010, quando em 1990 morreram 12 milhões.
A nova estimativa é bem menor que a última cifra de mortes de crianças do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Em 2008, o órgão ligado à ONU havia afirmado que 8,7 milhões de crianças morriam a cada ano por causas evitáveis como diarreia, pneumonia e malária. (Jornal do Commercio,Brasil, 25/05/2010)
UFPE cria vírus artificial de HIV
Trabalho feito em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro permitirá o desenvolvimento de uma terapia para soropositivos
Num estudo similar ao que resultou na célula sintética anunciada semana passada nos Estados Unidos, pesquisadores das Universidades Federais de Pernambuco e do Rio de Janeiro (UFPE e UFRJ) conseguiram criar em laboratório um vírus artificial de HIV. O feito permitirá, informam os cientistas, o desenvolvimento de uma nova vacina terapêutica para pacientes de aids.
O vírus foi obtido por meio de clonagem, usando uma técnica chamada PCR, sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase. “Com a PCR, cortamos e colamos pedaços do DNA até construir um genoma do vírus HIV inativado”, explica o professor do Departamento de Genética da UFPE, Sergio Crovella.
O desenvolvimento do protótipo piloto, há duas semanas, teve apoio financeiro do CDC de Atlanta. O CDC, sigla para Centers for Disease Control and Prevention, seria o equivalente, nos EUA, à Fiocruz. Foram US$ 500 mil empregados na aquisição de reagentes e pagamento de bolsas nos últimos 12 meses.
A equipe que criou o vírus sintético é a mesma que está testando a vacina terapêutica. O medicamento é feito com células dendríticas, aquelas responsáveis pela imunidade do organismo.
A segunda fase, iniciada recentemente, tem duração prevista de três anos e o objetivo de alcançar 100% de eficácia. Os testes, na UFPE, são feitos no Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika), em parceria com a o Laboratório LIM-56, da Universidade de São Paulo (USP).
É no Lika também onde a equipe pretende instalar uma fábrica de células dendríticas, usadas também em terapias contra câncer, hepatites e doenças autoimunes.
Crovella diz que a vacina autóloga, feita a partir do sangue extraído do paciente que receberá o medicamento, é mais dispendiosa. “Gastamos US$ 3 mil só para isolar o vírus, enquanto que o custo para cada dose de vírus sintético é de US$ 100”, compara.
O geneticista explica que o paciente responde bem ao tratamento com a vacina autóloga, porque o vírus pertence a ele. “Mas há dezenas de subtipos. Num vírus sintético podemos incluir as variações genéticas dos subtipos, permitindo que a vacina seja usada num grupo amplo de HIV positivos”, justifica o professor.
Outra vantagem da vacina terapêutica feita a partir do vírus sintético é em relação ao conforto do paciente. É que, para fazer a vacina com células dendríticas, é coletado o sangue do paciente em dez seções, cada uma com o armazenamento de 15 mililitros, para o isolamento do vírus.
No próximo mês, o primeiro protótipo de vírus recombinante será testado em células dendríticas para avaliar o perfil de expressão das células e depois a estimulação com o vírus.
“Nosso objetivo final é chegar a 2011 com a fábrica de células dendríticas para terapias vacinais já pronta para funcionar na UFPE. A estratégia vacinal será baseada no uso de vírus recombinante”, adianta o pesquisador. Ele lembra que, com o vírus artificial, será possível atingir um grande número de pacientes, de várias áreas do País.
A fábrica de células dendríticas, informa Crovella, será uma referência nacional na área. “Representa o futuro dos estudos de terapias vacinais em Pernambuco”, avalia. Para o geneticista, a contribuição do vírus geneticamente produzido ajudará na produtividade de vacinas em larga escala da fábrica. (Jornal do Commercio, Ciência e Meio Ambiente, 27/05/2010)
Patenteamento de célula sintética gera polêmica
Da Redação com agências
Menos de uma semana depois de divulgada a descoberta da célula artificial, obtida a partir de uma bactéria, o patenteamento da técnica começou a gerar polêmica. O cientista britânico John Sulston, prêmio Nobel de Medicina em 2002 e um dos pesquisadores que ajudou a sequenciar o genoma humano há dez anos, criticou a possibilidade de o pesquisador Craig Venter patentear a célula controlada por genoma sintético - a primeira forma de vida artificial - e com isso ter o monopólio da engenharia genética.
Segundo Sulston, isso seria um obstáculo à pesquisa na área de engenharia genética. Sulston e Venter já entraram em conflito antes, quando foi necessário registrar a propriedade intelectual da sequência do genoma humano, em 2000. Venter, à frente de um grupo privado, tentou conseguir a exclusividade dessa informação, e Sulston, ao lado de um projeto público, afirmou que os dados do genoma humano deveriam ser acessíveis a todos os cientistas. Na opinião de Sulston, que trabalha na Universidade de Manchester, a concessão de patentes seria “extremamente perigosa”.
A Igreja Católica também reagiu. Autoridades do Vaticano disseram que a criação de uma célula sintética pode ser um avanço positivo se usado corretamente, mas advertiram os cientistas de que apenas Deus pode criar vida. Eles alertaram os cientistas para a responsabilidade ética do progresso científico e que a forma como a inovação vai ser aplicada no futuro é muito importante. “É uma grande descoberta científica. Agora, temos de entender como será usada no futuro”, disse o monsenhor Rino Fisichella, a principal autoridade sobre bioética do Vaticano.
A descoberta, anunciada na quinta, dava conta de que uma célula sintética, completamente controlada por instruções produzidas pelo homem, tinha sido obtida no instituto privado J. Craig Venter Institute.
Acesse o Blog Ciência & Meio Ambiente - com link para http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/) (Jornal do Commerio, Ciência e Meio Ambiente, 27/05/2010)
Coquetel anti-HIV reduz a transmissão do vírus
Estudo foi feito com 3.381 casais heterossexuais. Após dois anos, 103 pessoas livres do HIV no início do teste foram infectadas pelos parceiros. Só em uma transmissão companheiro usava antirretroviral
PARIS – Pessoas com HIV reduziram o risco de transmitir o vírus da aids em 92% enquanto estavam tomando medicamentos antirretrovirais, de acordo com um estudo publicado ontem. O trabalho evidencia que drogas para tratar a aids podem ser incorporadas na luta contra o aumento dos casos de HIV.
No estudo publicado pelo jornal britânico The Lancet, médicos recrutaram 3.381 casais heterossexuais em sete países africanos. Cada casal era sorodiscordante, ou seja, uma pessoa infectada com HIV e outra sem o vírus.
Drogas antirretrovirais foram dadas a 349 indivíduos infectados. Os outros que possuíam o vírus receberam um placebo. Pesquisadores recolheram amostras de sangue do outro parceiro a cada três meses para ver se havia sido infectado. Estudo foi monitorado por comitê de ética e incluiu treinamento em sexo seguro e exames de saúde de rotina.
Após 24 meses, 103 pessoas que estavam livres do HIV no início do experimento foram infectadas pelos parceiros. Mas apenas uma das 103 transmissões foi causada por parceiro que tomava antirretrovirais.
No geral, o uso de antirretrovirais reduziu o risco de infectar outra pessoa em 92%. A queda traz à tona o potencial que a droga tem de prevenir o HIV, além de apenas tratá-lo, afirmaram os autores.
Isso ocorre porque o coquetel anti-HIV diminui a presença do vírus no sangue e em fluidos corporais, como sêmen ou muco vaginal, e por isso dificulta a transmissão para pessoas não infectadas, acreditam os especialistas. Advertem que, ainda que remédios diminuam risco de transmissão, o perigo existe, e por isso sexo seguro é essencial.
O estudo, liderado por Deborah Donnel da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle, focou apenas relações heterossexuais. Não foram observados outros modos de transmissão, como sexo anal, compartilhamento de agulhas ou de mãe para feto.
Para o professor do Departamento de Genética da UFPE Sergio Crovella, o estudo, apesar dos bons resultados obtidos, demonstra o que os cientistas já sabiam: baixar a carga viral protege contra a transmissão do vírus, o que já é rotina nas maternidades para prevenir a transmissão do HIV entre mãe e filho. “Senti falta do levantamento do papel do genoma do hospedeiro no aumento ou na diminuição da susceptibilidade pela infecção pelo HIV”, destacou. (Jornal do Commercio, Ciência e Meio Ambiente, 28/05/2010)
UFPE inicia testes em julho
Está previsto para julho o início dos testes in vitro das células dendríticas – relacionadas à imunidade do organismo – produzidas a partir do vírus HIV artificial desenvolvido nas Universidades Federais de Pernambuco (UFPE) e do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho será feito no Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika), na UFPE, para a produção de vacina terapêutica contra a doença.
Com duração prevista de um ano e meio a dois anos, essa fase precede os testes clínicos, aqueles realizados com humanos. A obtenção do vírus, divulgada ontem com exclusividade pelo JC, se deu por meio de clonagem. Usando uma técnica chamada PCR, sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase, a equipe cortou e colou pedaços do DNA até construir um genoma do vírus HIV inativado. O feito é comparável à criação da primeira célula sintética do mundo, anunciado semana passada pela revista Science.
As células dendríticas serão colocadas, explica o médico Luiz Cláudio Arraes de Alencar, da Universidade de Pernambuco (UPE) e o Lika, em contato com amostras do vírus da aids em ambiente de laboratório. “Antes usávamos células dendríticas feitas a partir do sangue dos pacientes. Por isso, eram específicas para aquela pessoa. Agora, elas são feitas de uma quimera, por isso achamos que pode ser usada em uma população mais ampla de pacientes soropositivos.”
O pesquisador, que trabalha em parceria com Sergio Crovella, do Departamento de Genética da UFPE e também do Lika, destaca que não se trata, ainda, da cura da doença. “Podemos dizer que é o começo de uma nova terapia, que no lugar de remédios, será usado um produto imunológico”, esclarece.
Os testes serão bancados com recursos da Unesco (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que destinou R$ 800 mil ao projeto de pesquisa, iniciado em 2003. “Também solicitaremos recursos à Facepe (Fundação de Amparo à Pesquisa de Pernambuco) e ao Ministério da Saúde.”
Dependendo dos resultados dos testes in vitro e da apreciação da comissão de ética das instituições envolvidas, a segunda etapa do desenvolvimento da nova vacina poderá ser feita com animais ou diretamente em humanos. O ideal, explica Lula Arraes, seria o uso de chimpanzé, que tem DNA 99% semelhante ao do ser humano. “Mas, por causa da ameaça de extinção do animal, usaremos um macaco asiático.” Os testes clínicos, adianta, serão feitos na UFRJ por equipe treinada na Universidade de São Paulo (USP). (Jornal do Commercio, Ciência e Meio Ambiente, 28/05/2010)
Nazaré terá unidade do Lafepe
Por ALEXANDRE FERREIRA
O município de Nazaré da Mata irá ganhar de presente hoje, data em que comemora seus 177 anos, uma farmácia do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe). A unidade, que funcionará no número 46 da rua Bom Jesus, no centro da cidade, beneficiará, além dos moradores de Nazaré da Mata, que tem cerca de 30 mil pessoas, além dos municípios de Buenos Aires, Tracunhaém, Vicência, Aliança e Itaquitinga. Com essa filial, a terceira farmácia da Mata Norte, o Governo do Estado pretende abranger toda aquela região.
O estabelecimento funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h ao meio-dia. No local deverão ser comercializados os 33 medicamentos de fabricação própria do laboratório, além de 187 genéricos. Dentre os 220 medicamentos, que atendem a mais de 70% das patologias, encontram-se anti-hipertensivos, antidiabéticos, antiparasitários, antibióticos, anti-ulcerosos, vitaminas, analgésicos e antitérmicos. A farmácia contará ainda com a presença diária de um farmacêutico para tirar dúvidas dos clientes.
Com valores até 1.400% mais baixos em relação aos da iniciativa privada, é possível encontrar nas farmácias do Lafepe, medicamentos como o analgésico Dipirona, envelope com dez comprimidos de 500 mg, por R$ 0,70. O mesmo medicamento, produzido por outros laboratórios e vendido em farmácias da rede privada, pode custar cerca de R$ 2,80. Outros exemplos o anti-hipertensivo Captopril que é vendido em envelope com 30 comprimidos de 25 miligramas por R$ 1,35. Este medicamento é comercializado, na rede privada, pelo preço médio de R$ 20. (Folha de Pernambuco, 28/05/2010)
Lafepe investirá R$ 10,7 milhões
O laboratório estadual está ampliando sua capacidade produtiva e prepara o fornecimento de remédios em maior escala para o Ministério da Saúde
Ao completar ontem 45 anos de existência, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) receberá R$ 10,7 milhões em investimentos para melhorar a infraestrutura atual. É também o momento em que o laboratório se prepara para entrar de forma mais ostensiva no fornecimento de medicamento voltados para o Sistema Único de Saúde (SUS) – depois de conseguir capitanear sete projetos de retrovirais, de um total de 17, junto ao Ministério da Saúde.
Entre as obras estão o novo prédio de manutenção industrial, ampliação e reforma do setor de tuberculostáticos e uma nova unidade para pesquisa e desenvolvimento. “Conseguimos enxugar os custos para fazer investimentos. Dos R$ 5,5 milhões para unidade de tuberculostáticos, R$ 4 milhões são de verbas do Ministério da Saúde e R$ 1,5 milhão de caixa do próprio Lafepe”, comentou o presidente do laboratório, Luciano Vasquez. As obras terão um impacto tão grande na produção que só na área de tratamento para tuberculose, a capacidade sairá de 8 milhões de unidades anuais para 100 milhões. Vasquez salienta, no entanto, que inicialmente a capacidade máxima não será usada.
Outro R$ 1,2 milhão será aportado para melhorar as condições das estruturas gerais do laboratório, incluindo até mesmo o refeitório, hoje voltado para atender a demanda de 600 pessoas, entre funcionários do quadro e terceirizados.
PORTFÓLIO
O Lafepe produz 33 medicamentos, entre antibióticos, analgésicos, vitaminas, complexo ferroso, analgésicos, antitérmicos e antirretrovirais. Outros 187 genéricos são comprados pelo laboratório em grande escala e revendidos em uma das 39 farmácias da rede estadual a preços menores, devido ao volume negociado.
Apesar dos itens da chamada assistência básica serem responsáveis por 70% da produção do Lafepe, sua participação no faturamento não ultrapassa a casa dos 30%. “A parceria com o Ministério da Saúde vai ser muito importante porque com o fornecimento de produtos como os antipsicóticos, por exemplo, podemos ter contratos anuais de R$ 220 milhões”, projetou Vasquez.
O faturamento do Lafepe em 2009 foi de R$ 92 milhões, gerando lucro de R$ 3,7 milhões, totalmente revertidos em investimentos. Em 2008, o lucro ficou em R$ 3,2 milhões, e em 2007, o resultado foi positivo em R$ 4 milhões. (Jornal do Commercio, Economia, 28/05/2010)
Carinho e franqueza
Especialistas aconselham pais e mães sobre como enfrentar a difícil situação de uma longa internação dos filhos. Acompanhamento sem tréguas e sinceridade integral sobre o que está ocorrendo são fundamentais
por Márcia Neri
Brasília - Ter uma criança internada longamente em um hospital é uma experiência ameaçadora e jamais planejada por pais e mães. Ainda assim, quem tem filhos sabe: doenças e acidentes inesperados que demandam hospitalização podem ocorrer com relativa frequência na história de vida de meninos e meninas. O desafio é passar por eles sem traumatizar a criança e desestabilizar a família, já que a situação traz dor, medo, ansiedade e muito estresse. Para os recém-nascidos, a prematuridade é a principal causa de internação, mas as doenças cardíacas e respiratórias também são motivos constantes de estadas prolongadas em unidades hospitalares. Acidentes e traumas, como quedas e afogamentos, levam muitos pequenos que ainda vivem as descobertas da primeira infância aos leitos de enfermarias e de unidades de terapia intensiva.

A professora Rosângela e Alan, hoje com 13 anos e internado em uma UTI pediátrica há cinco meses: "O carinho é o mais eficaz dos remédios" Foto: Kléber Lima/CB/D.A Press
Embora acuados pelo ambiente novo, pelas intervenções médicas e pela atmosfera geralmente fria dos hospitais, nessa hora é fundamental que os pequenos encontrem forças para se restabelecer. Além dos profissionais dedicados à recuperação das crianças, dos medicamentos e procedimentos necessários para que ela se concretize, mais do que nunca a companhia da mãe ou do pai é o porto seguro nesse momento. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) esse direito é garantido. O ECA assegura que a garotada, independentemente do local da internação - seja em hospital particular ou em público, em quarto, em enfermaria ou em unidade de terapia intensiva -, esteja acompanhada pelos pais ou responsáveis 24 horas por dia.
A coordenadora médica da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Anchieta, Débora Tessis, explica que até os recémnascidos têm memória da voz e do cheiro dos pais. Estudos comprovam que os bebês esboçam melhora considerável no quadro clínico quando estão acompanhados por eles. "Quanto mais humanizado é o atendimento médico, maiores as chances de recuperação. Os pais também precisam de acolhimento e atenção. É natural que estejam desnorteados, inseguros e commedo de que o pior aconteça. Pediatras, enfermeiros e todo o time que atua nos cuidados de crianças em hospitais precisam ter preparo para entender e dar suporte à família. Afeto só faz bem, mas para dar afeto é preciso recebê-lo", enfatiza.
Segundo a pediatra, por mais novas que sejam, as crianças têm percepção da gravidade e da evolução do quadro. É importante que se explique, ainda que em linguagem lúdica, o problema pelo qual ela está passando. "Para cada situação, existe uma abordagem. É fundamental não mentir. Os pais devem ter acesso a todas as informações da doença e do tratamento e as crianças devem saber o que está se passando. É o fator que traz segurança a todos", diz.
Contrastes - A professora Rosângela Mezet Ferreira, 41 anos, já viveu situações contrastantes nas incontáveis internações do filho. O pequeno Alan Mezet Fernandes, 13 anos, nasceu com incompatibilidade sanguínea. O problema resultou em uma lesão cerebral, diagnosticada quando ele tinha 5 meses. A primeira internação ocorreu antesque ele completasse 1 ano. Uma forte pneumonia, intercorrência frequente em casos como o de Alan, por conta do refluxo e da dificuldade de expectoração, o levou à hospitalização. "Foi um baque. Mesmo sabendo de todas as limitações do meu filho, me assustei, perdi o chão. Sonhamos com rebentos saudáveis, brincando, estudando, curtindo a vida - e numa hora dessas imaginamos o pior. O problema do meu menino é irreversível. São administrados medicamentos que o deixam mais confortável, mas o que o tranquiliza mesmo é a minha presença. O carinho é o mais eficaz dos remédios", revela. Até os 11 anos, Alan nunca havia sido internado na unidade de terapia intensiva, mas de dois anos para cá a hospitalização na UTI pediátrica tem sido constante. A última já dura cinco meses.
Entre as várias internações de Alan, o casamento de Rosângela não resistiu. Ela se casou novamente com uma pessoa que passava por situação semelhante à dela. Da nova união, nasceu uma menininha, com a mesma incompatibilidade de Alan. Transfusões sanguíneas feitas a tempo preservaram a saúde da criança. No entanto, ela também precisou de internações. "O hospital oferecido pelo plano de saúde não tinha abordagem humanizada. O sofrimento foi multiplicado. Não tínhamos acesso às informações e à evolução do quadro dela. Não podíamos entrar na UTI fora do horário rígido estabelecido pela equipe e nem tínhamos o apoio psicológico para lidar com a situação. Hoje, minha filha está bem, mas foi traumatizante e muito diferente do que conseguimos oferecer ao Alan", desabafa Rosângela.
A psicóloga hospitalar Clarisse Ribeiro confirma que uma internação sempre remete à possibilidade de morte, principalmente quando a criança fica na UTI, e é justamente isso que desestabiliza os pais e a família. O acompanhamento psicológico é um suporte para ajudar a entender a situação. Se os pais se sentem inseguros, a criança também se sentirá. "A instabilidade emocional interfere na recuperação e dificulta a reação positiva do corpo. A criança tem o direito de saber, inclusive,sobre a possibilidade ou não de alta. A partir dos 4 anos, podemos oferecer elementos lúdicos que a colocam a par da realidade. O importante é sempre informar, conversar, orientar e deixar a criança expressar o sofrimento", pondera. (Diario de Pernambuco, Brasil,28/05/2010)
Controle da transmissão
por Carolina Vicentin
Brasília - Pesquisadores norte-americanos divulgaram ontem um estudo que revela a capacidade de o coquetel que controla a evolução do HIV impedir também a transmissão do vírus. Os medicamentos antirretrovirais, tomados por pacientes soropositivos, reduzem o risco de infecção do parceiro em 92%. O estudo foi realizado com 3.381 casais africanos sorodiscordantes - quando um parceiro tem o HIV e o outro não. Nesse grupo, 349 pessoas portadoras do vírus tomaram os antirretrovirais e os outros infectados ingeriram placebo. Ao fim de dois anos, os pesquisadores verificaram que 103 pessoas contraíram o HIV, sendo que apenas uma delas tinha um parceiro que tomava o coquetel.
"A utilização de ART (antirretrovirais) por pacientes infectados pode ser uma estratégia eficaz para realizar reduções do número de transmissões", escreveram os autores do estudo, liderado pela professora Deborah Donnel, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. A pesquisa foi realizadacom voluntários de sete países africanos, com o aval de um comitê de ética e orientações sobre sexo seguro aos participantes. A África Subsaariana ainda é a região com maior incidência de transmissões: em 2008, 71% dos novos casos de Aids foram registrados na área.
O bom desempenho dos antirretrovirais se deve ao fato de que esses remédios diminuem o nível de vírus no sangue e nas secreções corporais, tais como o sêmen e o muco vaginal. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Érico Arruda, afirma que os resultados da pesquisa já eram conhecidos por especialistas. O estudo foi apresentado pela primeira vez na 17ª Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em fevereiro deste ano. "Mas o fato de estar publicado em uma revista científica respeitada dá mais peso à pesquisa", comenta. Os dados foram divulgados pelo periódico The Lancet.
Segundo Arruda, os resultados fortalecem a ideia de que o tratamento das pessoas infectadas é também uma forma de impedir o avanço da epidemia. "Podemosantever que, a partir da prescrição de antirretrovirais a todos os portadores da doença, será possível bloquear o aparecimento de novos casos", diz. Os números também estimulam investimentos dos governos em remédios para os portadores da doença - que são hoje mais de 34 milhões de pessoas em todo o mundo. Érico afirma, ainda, que a pesquisa norte-americana já está sendo analisada pelo comitê do Ministério da Saúde que elabora protocolo com orientações para mulheres soropositivas que queiram ter filhos.
O presidente do Fórum de ONGs de Aids, Rodrigo Pinheiro, comemorou a divulgação do estudo e afirma que esses e outros dados reforçam o uso de novas tecnologias de prevenção ao HIV. Rodrigo, no entanto, acredita que todos os novos recursos precisam ser trabalhados com cuidado junto à população. "Hoje, 98% das pessoas sabem o que é Aids e como se pega. Mesmo assim, mais de 50% não usam camisinha nas relações sexuais", aponta. (Diario de Pernambuco, Brasil, 27/05/2010)
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